- Rentabilidade da mineração sobe para US$ 37 por petahash/segundo
- ETFs registram entrada líquida de US$ 630 milhões em um dia
- Dominância do Bitcoin atinge máxima desde julho de 2025
O Bitcoin rompeu a barreira dos US$ 80 mil pela primeira vez em três meses, provocando US$ 270 milhões em liquidações de posições vendidas no mercado futuro. A alta coincidiu com recordes nas bolsas americanas de tecnologia e marca um momento decisivo para investidores que aguardavam sinais claros de retomada.

A rentabilidade dos mineradores de Bitcoin disparou para níveis não vistos há meses. O retorno diário esperado para 1 petahash/segundo de poder computacional alcançou US$ 37, patamar registrado pela última vez em 30 de janeiro. Esse indicador ganha relevância especial diante da queda de 13% no hashrate total da rede no último trimestre, movimento que havia gerado preocupações sobre a segurança da blockchain.
Grandes mineradoras públicas vinham liquidando suas reservas de Bitcoin para reduzir dívidas e financiar a transição para data centers de inteligência artificial. A Riot Platforms, uma das maiores do setor, confirmou a venda de US$ 250 milhões em Bitcoin apenas no trimestre passado. Com a melhora substancial na lucratividade operacional, essa pressão vendedora estrutural tende a diminuir significativamente nos próximos meses.
Reservas de mineradoras em mínima histórica
Dados compilados pela BGometrics revelam que as reservas dos mineradores atingiram o menor nível em 10 anos, sinalizando uma mudança fundamental na dinâmica do mercado. Historicamente, mineradores mantinham grandes estoques como reserva operacional. A liquidação massiva ocorreu justamente quando muitas empresas do setor diversificaram para serviços de computação em nuvem e processamento de IA.

Mesmo com essa oferta adicional no mercado, a demanda absorveu o volume sem impacto negativo nos preços. Os ETFs de Bitcoin registraram entrada líquida impressionante de US$ 630 milhões apenas na sexta-feira, demonstrando apetite institucional que supera amplamente a pressão vendedora das mineradoras. No acumulado recente, fundos negociados em bolsa movimentam volumes que tornam a venda de mineradores praticamente irrelevante.
A dominância do Bitcoin no mercado cripto, excluindo stablecoins, saltou para o maior patamar desde julho de 2025. Esse movimento reflete uma rotação clara de capital: investidores abandonam posições em altcoins menores e concentram recursos no ativo principal. Memecoins e tokens de governança perderam mais de 40% de capitalização nos últimos dois meses.
Migração de capital das altcoins para Bitcoin
Exchanges descentralizadas registraram queda acentuada no volume negociado. Múltiplos hacks em aplicações DeFi minaram a confiança em protocolos menores. O setor DeFi como um todo perdeu US$ 15 bilhões em valor total bloqueado (TVL) desde setembro, com usuários migrando para ativos considerados mais seguros.
Bitcoin e Ethereum agora representam 95% dos US$ 147 bilhões em produtos cripto negociados em bolsa globalmente, segundo relatório da CoinShares divulgado em 27 de abril. Para comparação, esse percentual era de apenas 87% no início do ano. Produtos baseados em Solana e XRP não conseguiram superar US$ 3 bilhões cada em ativos sob gestão, frustrando expectativas de diversificação institucional.
A correlação entre Bitcoin e o índice Nasdaq 100 permanece elevada em 0.78, indicando que investidores tratam a criptomoeda como ativo de risco comparável às ações de tecnologia. Enquanto as big techs americanas atingem recordes históricos consecutivos, o Bitcoin ainda negocia 36% abaixo do pico de US$ 126.200 registrado em outubro de 2025, sugerindo espaço considerável para valorização.
Opções confirmam mudança radical no sentimento
O mercado de opções na Deribit fornece sinais claros de reversão no sentimento. Na segunda-feira, os prêmios das opções de compra (call) superaram os de venda (put) em 24%, marcando a maior diferença positiva em seis semanas. Durante o fim de semana, calls negociavam 25% abaixo das puts, indicando temor generalizado de correção abrupta.
Essa reversão de 49 pontos percentuais em apenas 48 horas raramente ocorre sem catalisador fundamental forte. Traders institucionais abandonaram hedges defensivos e aumentaram apostas direcionais de alta. O volume negociado em opções com strike em US$ 85 mil para vencimento em maio triplicou na última semana.
Para o investidor brasileiro, o cenário se mostra ainda mais favorável. Com o Bitcoin negociando próximo aos R$ 460 mil, a valorização em reais supera a alta em dólares devido ao fortalecimento da moeda americana. Exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit reportam aumento de 35% no número de novos cadastros em abril, com ticket médio de compra subindo para R$ 8.500.
Três pilares sustentam projeção de US$ 85 mil
A meta de US$ 85 mil se apoia em fundamentos sólidos que vão além da análise técnica. Primeiro, a melhora substancial na rentabilidade da mineração elimina um dos principais vetores de pressão vendedora que limitaram rallies anteriores. Com custos operacionais cobertos confortavelmente, mineradores podem acumular em vez de vender.
Segundo, fluxos consistentes e crescentes para ETFs demonstram que a demanda institucional entrou em nova fase. Gestores que antes alocavam 1-2% dos portfólios em cripto agora consideram posições de 5-10%, seguindo modelos de alocação mais agressivos propostos por consultorias como a BlackRock.
Terceiro, a dominância crescente do Bitcoin dentro do universo cripto cria um ciclo virtuoso. Quanto mais capital migra de altcoins especulativas para BTC, maior a percepção de segurança relativa do ativo. Esse movimento se acelera em momentos de incerteza macro, quando investidores buscam exposição cripto através do ativo mais líquido e estabelecido do setor.

