- Bitcoin acumula recuperação de 46,9% desde a mínima de US$ 57.800 registrada em julho, mas ainda não há confirmação de reversão do ciclo.
- Binance Research aponta que as quedas do Bitcoin parecem menores porque a volatilidade anualizada caiu de 99% em 2013–2015 para 47% atualmente.
- Histórico mostra que recuperações superiores a 40% após correções mais rasas frequentemente falharam, enquanto outubro surge como novo teste para o BTC.
O Bitcoin (BTC) não está necessariamente caindo menos nesta fase do ciclo: ele está oscilando menos. É o que aponta a mais recente análise semanal da Binance Research, braço de pesquisa da maior exchange de criptoativos do mundo.
O Bitcoin atingiu uma mínima de US$ 57.800 em 1º de julho de 2026, ficando 54,2% abaixo da máxima de US$ 126.200 registrada em outubro de 2025. Embora os três mercados de baixa anteriores tenham registrado quedas maiores — de 86,9%, 84,1% e 77,6% —, a volatilidade anualizada do Bitcoin também diminuiu ao longo dos ciclos.
Ela passou de 99% no período de 2013 a 2015 para 87% entre 2015 e 2018, 67% entre 2018 e 2022 e 47% atualmente.
Bitcoin está menos volátil

A análise conclui que a principal mudança estrutural a ser observada é a menor volatilidade do Bitcoin, e não necessariamente a existência de um piso de preço mais elevado.
Segundo a Binance Research, a queda atual de 54,2%, em um mercado com volatilidade anualizada de 47%, representa um movimento de magnitude semelhante, quando ajustado por essa métrica, a uma queda de 80,8% em um ambiente com volatilidade de 99%, como o observado no ciclo de 2013 a 2015.
Isso significa que comparar apenas a redução percentual do preço entre diferentes ciclos pode produzir uma visão incompleta do comportamento do Bitcoin.
Recuperação ainda não confirma fundo do Bitcoin
Outro ponto analisado pela Binance Research é a recente recuperação do Bitcoin. O ativo fechou 1º de outubro em US$ 84.880, uma valorização de 46,9% em relação à mínima registrada em julho.
Apesar da recuperação expressiva, a análise aponta que o tamanho do salto, isoladamente, não é suficiente para confirmar que um fundo definitivo foi estabelecido. A Binance Research identificou sete episódios entre 2011 e 2023 em que o Bitcoin subiu pelo menos 40% desde uma mínima enquanto permanecia ao menos 25% abaixo de sua máxima histórica.
Nos dois casos em que essa recuperação ocorreu depois de quedas mais profundas — de 75,5% em abril de 2019 e 67,1% em janeiro de 2023 —, o movimento se sustentou e posteriormente levou o Bitcoin a novas máximas.
Já entre os cinco episódios nos quais a recuperação começou depois de quedas mais brandas, entre 30% e 38%, quatro registraram posteriormente uma nova queda abaixo da mínima anterior.
No ciclo atual, o Bitcoin atingiu esse mesmo critério em 3 de setembro, quando ainda estava 35,6% abaixo de sua máxima histórica. Esse nível está dentro da faixa em que quatro dos cinco casos históricos analisados pela Binance Research terminaram com um novo teste da mínima.
A empresa ressalta, porém, que a amostra reúne apenas sete episódios e deve ser interpretada como uma referência histórica, e não como uma previsão sobre o comportamento futuro do Bitcoin.

Outubro será novo teste para recuperação do BTC
Outubro será um dos próximos testes para a recuperação do Bitcoin. Historicamente, o mês apresenta o melhor desempenho mediano do BTC, com retorno de 12,7% desde 2013, segundo os dados analisados pela Binance Research.
O comportamento do ativo durante o mês poderá, portanto, ajudar a indicar se a recuperação iniciada após a mínima de julho continuará ganhando força ou perderá impulso.
“Um outubro típico indicaria uma recuperação consistente, enquanto um outubro fraco sugeriria que a recuperação não terá continuidade”, destaca a Binance Research.
O levantamento reforça que, apesar da recuperação de quase 47% desde julho, o cenário atual não deve ser analisado apenas pela distância entre a mínima e a máxima histórica.
A redução estrutural da volatilidade do Bitcoin significa que movimentos percentuais menores podem representar oscilações proporcionalmente tão relevantes quanto as grandes quedas registradas nos primeiros ciclos do mercado.




