- Tokenização imobiliária acumula cerca de R$ 20 bilhões em operações estruturadas no Brasil
- Giro no mercado secundário fica entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões
- Baixa liquidez expõe limite do modelo atual de distribuição desses tokens
A tokenização imobiliária, que representa digitalmente a fração ou a totalidade de um imóvel por meio de um token em blockchain, já mobilizou R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) no Brasil, com mais de 450 incorporadoras utilizando o modelo, segundo a ABToken.
Em ativos do mundo real (RWA) tokenizados, o país somava R$ 1,5 bilhão em janeiro de 2026, alta de mais de 1.100% em um ano. Além disso, há 30 mil carteiras digitais abertas, das quais 9 mil já foram reportadas à Receita Federal.
O volume, porém, tem um limite claro. Apenas entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões do estoque tokenizado circulam no mercado secundário, o que faz da liquidez o principal gargalo do setor. As emissões reguladas somaram R$ 1,3 bilhão em 2024, patamar que está em revisão pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A ABToken projeta um mercado de R$ 320 bilhões no Brasil e de US$ 4 trilhões no mundo até 2030.
Tokenização imobiliária
O ambiente regulatório ainda é fragmentado. O Brasil aguarda uma lei específica sobre registro tokenizado, enquanto a Justiça Federal suspendeu uma resolução do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) sobre o tema, sob o entendimento de que apenas o Congresso Nacional pode legislar sobre a matéria.
Na Europa, o regulamento MiCA, aprovado em 2023, tem o período de transição para empresas não autorizadas encerrado em julho de 2026 e impõe limites a modelos de renda passiva em determinados tokens. Suíça e Luxemburgo, por sua vez, concentram plataformas de tokenização de imóveis comerciais de alto padrão.
Os dados integram o material do FITi, Fórum Internacional de Tokenização Imobiliária, evento do CIMI360. Entre os próximos passos apontados para consolidar o mercado estão a aprovação de um marco legal específico, a integração com o sistema registral e o desenvolvimento de liquidez no mercado secundário.
“O CIMI defende a segurança voltada à rastreabilidade da origem do imóvel, uma inovação fantástica, e o mais importante: a democratização da compra do imóvel. Quem hoje não consegue comprar um imóvel inteiro pode comprar uma parte, uma fração por meio de tokens”, diz Heitor Kuser, CEO e fundador do CIMI360 (Congresso Internacional do Mercado Imobiliário) e do CIMI Invest, presidente do INDIP, idealizador do Feirão dos Corretores, vice-presidente Sul da Confederação Imobiliária Latinoamericana (CILA) e associado da FIABCI-Brasil.
Ele defende que a regulação dê “transparência ao mercado, segurança jurídica para os compradores, para os incorporadores” e preserve o direito de propriedade de todos os interessados.
“Se isso funcionar, entendemos que é a melhor maneira de o mercado evoluir nesse quesito.”




