- Bittensor enfrenta acusações de centralização na governança
- Covenant AI abandona rede após conflitos e intervenções
- Debate sobre descentralização em IA ganha força no mercado
A rede Bittensor, conhecida por propor um modelo descentralizado para desenvolvimento de inteligência artificial, passou a enfrentar críticas públicas relevantes sobre sua estrutura de governança. As acusações surgiram após a saída da Covenant AI, uma das iniciativas mais ambiciosas dentro do ecossistema.
A empresa afirmou que decidiu encerrar suas operações na rede após identificar sinais claros de centralização de poder, o que contraria a proposta original do projeto. Segundo o fundador Sam Dare, o modelo atual permite que decisões críticas sejam tomadas por um único agente, sem processos transparentes ou consenso da comunidade.
A Covenant AI ganhou notoriedade ao desenvolver o Covenant-72B, um modelo com 72 bilhões de parâmetros treinado de forma distribuída por mais de 70 participantes independentes. O projeto se tornou um dos maiores experimentos de treinamento descentralizado de IA já realizados e chegou a influenciar positivamente o próprio ecossistema da Bittensor.
No entanto, mesmo com esse histórico, a relação entre a equipe e a rede se deteriorou nas últimas semanas.
Acusações apontam controle concentrado na rede
De acordo com o posicionamento oficial da Covenant AI, a Bittensor permite que um único indivíduo exerça controle significativo sobre decisões estratégicas. Entre as práticas citadas estão a suspensão de emissões de subnets, a intervenção direta em comunidades e a descontinuação de projetos sem governança formal.
A empresa também relatou que perdeu o controle sobre seus próprios canais de moderação e que sua infraestrutura foi descontinuada de forma unilateral. Além disso, alegou que houve pressão econômica por meio da venda de tokens, utilizada como ferramenta de influência durante conflitos operacionais.
O nome citado nas acusações é o de Jacob Steeves, também conhecido como Const. Segundo a Covenant AI, ele manteria influência decisiva sobre um grupo restrito responsável por aprovar atualizações na rede, o que colocaria em xeque a ideia de governança distribuída.
A estrutura foi descrita como um “triunvirato”, composto por três indivíduos que controlam uma carteira multisig. Ainda assim, a crítica central afirma que esse modelo funcionaria mais como uma formalidade do que como um sistema realmente descentralizado.
Saída da Covenant AI levanta debate sobre governança
A decisão de deixar a Bittensor marca um ponto de inflexão no debate sobre descentralização em redes de inteligência artificial. Para a Covenant AI, o principal problema não está em um episódio isolado, mas sim na forma como o poder é estruturado dentro do protocolo.
A empresa destacou que não consegue continuar captando recursos ou atraindo talentos enquanto a governança da rede permitir intervenções diretas sem transparência. Segundo o comunicado, essa incerteza representa um risco para investidores e desenvolvedores.
Apesar da saída, a equipe afirmou que seguirá trabalhando no desenvolvimento de modelos de IA descentralizados fora da Bittensor. O grupo reforçou que a tecnologia de treinamento distribuído não depende exclusivamente de uma única rede e que novos projetos já estão em andamento.
O caso reacende discussões mais amplas sobre o setor. Projetos que se apresentam como descentralizados passam a ser analisados não apenas pela tecnologia, mas também pela forma como distribuem poder e tomam decisões.
Enquanto isso, a Bittensor ainda não apresentou uma resposta detalhada às acusações. O episódio, no entanto, já pressiona a comunidade a revisar práticas de governança e a questionar se a descentralização prometida corresponde à realidade operacional da rede.


