- David Sacks encerra mandato como czar das criptomoedas
- Executivo assume papel ampliado em tecnologia no PCAST
- Foco do governo migra de cripto para IA e inovação
A saída de David Sacks do posto de “czar das criptomoedas” marca uma mudança relevante na condução da política tecnológica dos Estados Unidos. Após 130 dias como Oficial Especial do Governo, ele encerrou seu mandato à frente da coordenação de diretrizes para bitcoin e outros ativos digitais.
A movimentação não ocorreu de forma abrupta, mas simboliza o fim de um ciclo. A função, criada para organizar a estratégia do governo em torno do mercado cripto, perde seu principal articulador em um momento ainda sensível para a regulação do setor.
Apesar disso, Sacks não deixou o centro das decisões em Washington. Ele assumiu oficialmente a copresidência do Conselho de Assessores de Ciência e Tecnologia do Presidente, conhecido como PCAST. Com isso, ele ampliou sua atuação para além das criptomoedas.
O novo cargo coloca o executivo em uma posição estratégica dentro da Casa Branca. O PCAST funciona como um comitê consultivo federal e tem a missão de orientar o presidente e sua equipe em temas considerados críticos para o futuro tecnológico do país.
Criado ainda na era de Franklin D. Roosevelt e formalizado em 1990, o conselho reúne especialistas de alto nível. Sacks passa a liderar um grupo inicial de 15 membros com forte presença da indústria.

Czar das criptomoedas
Entre os nomes estão Jensen Huang, Mark Zuckerberg, Lisa Su e Michael Dell. A composição indica uma abordagem mais pragmática, com foco em quem já construiu empresas e soluções em escala global.
O próprio Sacks reforçou esse posicionamento ao comentar o perfil dos integrantes. “Essas pessoas são construtoras. São pessoas que fazem acontecer. Elas não se limitaram à pesquisa ou ao meio acadêmico”, afirmou.
A mudança de função amplia o escopo de atuação, mas também desloca o foco das criptomoedas para um conjunto mais amplo de tecnologias emergentes. O conselho deve atuar diretamente em áreas como inteligência artificial, computação quântica, energia nuclear e semicondutores avançados.
Nesse novo contexto, um dos principais desafios envolve a criação de regras mais claras para a inteligência artificial. Atualmente, os Estados Unidos operam sob um modelo fragmentado, com diferentes legislações estaduais que dificultam a padronização.
Sacks defende a criação de um modelo unificado. “Queremos criar um manual único para IA nos EUA”, disse. Segundo ele, há espaço para cooperação entre partidos para viabilizar uma legislação mais consistente antes de novembro.
Assim, essa transição reforça uma mudança de prioridade dentro do governo. Embora as criptomoedas continuem relevantes, o avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias estratégicas passou a exigir maior atenção institucional.
Ainda assim, Sacks mantém sua visão sobre o papel dos Estados Unidos no cenário global. Ele defende que o país lidere o desenvolvimento tecnológico por meio da expansão de sua participação de mercado e da definição de padrões internacionais.

