- Análise de Christopher Goes aponta possível “extinção terminal” do ecossistema usado pela BNB Chain, devido a altos custos e fuga de projetos.
- AppChains enfrentam esgotamento, com redes deixando Cosmos para adotar Solana e Ethereum, enquanto ATOM permanece estagnado em mínimas históricas.
- Parte da comunidade defende que o ecossistema não morreu, mas passa por consolidação rumo a infraestrutura institucional e aplicações corporativas.
O debate sobre o futuro do ecossistema usado pela BNB Chain ganhou nova força depois que uma análise recente apontou que o modelo arquitetônico inspirado em Cosmos pode estar caminhando para um colapso estrutural. As declarações de Christopher Goes, cocriador do protocolo Anoma, acenderam um alerta no setor ao sugerir que a rede enfrenta uma “extinção terminal”, marcada por perda de talentos, fuga de capital e altos custos de infraestrutura que drenam a competitividade.
Goes afirmou que o modelo atual já não sustenta a atratividade que um dia tornou Cosmos o “Internet das blockchains”. Seu design, que permitia a criação de AppChains soberanas e interoperáveis, definiu o padrão para desenvolvedores durante anos. Contudo, ele destaca que esse ideal se desfez lentamente enquanto projetos procuram alternativas em ambientes com incentivos mais fortes e custos menores, como Solana e Ethereum.
A atividade de finanças descentralizadas (DeFi) reforça essa percepção. Projetos emblemáticos encerraram operações, como o Penumbra, enquanto outros, como o Osmosis, operam em modo de manutenção e buscam novas frentes para diversificar. A própria Noble — responsável pela chegada do USDC nativo ao ecossistema — começou a explorar integrações fora das fronteiras tradicionais do Cosmos, sinalizando perda de tração.

Blockchain é usada pela BNB Chain
O modelo de AppChain, antes celebrado pela autonomia, agora parece sufocado pelos altos custos de manter infraestrutura própria, validadores dedicados e segurança soberana. Vai ficando claro que muitos times preferem lançar soluções de segunda camada sobre Ethereum ou construir sobre blockchains de alta performance, como Solana, em vez de sustentar uma cadeia independente. Esse cenário alimenta a narrativa de que a arquitetura inspirada em Cosmos — amplamente usada por redes como BNB Chain — perdeu seu fôlego competitivo.
O pessimismo também aparece no desempenho do ATOM, o token nativo do Cosmos Hub. Mesmo com recuperações parciais no mercado de altcoins em 2025, ATOM continua estagnado perto de US$ 2,60, muito abaixo de seu recorde histórico acima de US$ 44. A falta de mecanismos claros de captura de valor provenientes das redes que utilizam sua tecnologia segue pesando contra o ativo. Nem a redução de emissão, implementada para conter a inflação, conseguiu reverter a tendência.
Porém, nem todos concordam com o prognóstico de morte. Analistas como o coletivo Steady Crypto afirmam que a narrativa alarmista serve mais como estratégia de engajamento do que como diagnóstico técnico. Para eles, Cosmos não está morrendo, mas se consolidando. A Interchain Foundation vem priorizando a adoção empresarial e o fortalecimento da utilidade de ATOM, enquanto grandes instituições constroem suas próprias infraestruturas utilizando o Cosmos SDK.
Consolidação
Ondo Finance adquiriu a Strangelove para erguer sua rede de RWAs. A Figure, gigante do crédito hipotecário, opera sobre a pilha tecnológica de Cosmos. E até o XRPL EVM, da Ripple, utiliza componentes centrais desse ecossistema. Esses movimentos sustentam a tese de que a rede deixa para trás a fase experimental e entra em um ciclo mais maduro, dedicado à infraestrutura corporativa.
Casos antigos mostram que narrativas de “morte” são recorrentes no setor. EOS e Algorand passaram por ciclos semelhantes, mas hoje continuam operando em nichos específicos. A diferença crucial é que a tecnologia de Cosmos se tornou base para outros ecossistemas, incluindo sidechains de Ethereum e redes modulares inspiradas em Celestia.

