- Ex-CEO da extinta exchange Mt. Gox, publicou uma proposta que defende um hard fork do Bitcoin
- Segundo a proposta, a rede poderia mover 79.956 BTC para um endereço de recuperação
- Hoje, esse montante supera US$ 5,2 bilhões e permanece em uma única carteira, sem movimentação há mais de 15 anos
Mark Karpelès, ex-CEO da Mt. Gox, voltou ao debate público ao propor um hard fork do Bitcoin para recuperar moedas roubadas em 2011. Segundo a proposta, a rede poderia mover 79.956 BTC para um endereço de recuperação, mesmo sem a chave privada original. Hoje, esse montante supera US$ 5,2 bilhões e permanece em uma única carteira, sem movimentação há mais de 15 anos. Assim, a ideia reacende uma discussão antiga sobre imutabilidade, justiça e precedentes no Bitcoin.
Proposta de hard fork quer tornar válida uma transação hoje inválida
Karpelès publicou o texto no GitHub e pediu apoio da comunidade para avaliar a mudança. Em seguida, ele sugeriu uma nova regra de consenso que permitiria transferir os UTXOs ligados ao roubo da Mt. Gox. Dessa forma, os nós aceitariam uma transação que hoje falharia na validação padrão.
Can we get some bitcoins back to MtGox creditors?https://t.co/Z7rymy1vuS
— Mark Karpelès (@MagicalTux) February 27, 2026
Além disso, ele reconheceu o custo político e técnico da medida. Ele afirmou que a proposta exige hard fork e que todos os nós precisariam atualizar antes da altura de ativação. Portanto, ele diz que não tenta ‘disfarçar’ a mudança como algo menor.
Ao mesmo tempo, Karpelès argumenta que o caso já possui estrutura legal pronta para distribuição. Segundo ele, o trustee Nobuaki Kobayashi já conduz pagamentos a credores e poderia usar a mesma logística. Assim, se o Bitcoin recuperasse as moedas, o processo poderia repassá-las aos ‘donos legítimos‘.
Ele também descreveu um impasse prático. O trustee não tenta recuperação on-chain por falta de certeza sobre adoção. No entanto, a comunidade evita julgar sem uma proposta concreta. Por isso, ele diz que o ‘patch’ serve para destravar a discussão.
Críticas apontam risco à imutabilidade e temor de precedente para novos hacks
A reação foi rápida em fóruns como Bitcointalk. Muitos usuários afirmaram que abrir uma exceção cria precedente para futuros pedidos semelhantes. Além disso, críticos dizem que isso enfraquece a ideia central do Bitcoin, baseada em irreversibilidade e regras estáveis.
Outro ponto ganhou força no debate. Parte da comunidade afirma que a rede não deve depender de decisões de autoridades ou tribunais. Portanto, um hard fork desse tipo poderia misturar consenso social com aplicação de lei.
Ainda assim, Karpelès tenta diferenciar o caso. Ele afirma que esses UTXOs são conhecidos, rastreados publicamente e ligados a um roubo amplamente reconhecido. Por outro lado, críticos respondem que a exceção vira ferramenta perigosa em disputas futuras.
Contexto importa, porque a Mt. Gox já concentrou cerca de 70% das transações globais de Bitcoin entre 2010 e 2014. Depois, a exchange entrou em colapso e iniciou processos longos de falência e recuperação. Assim, a proposta adiciona um novo capítulo a um dos casos mais simbólicos da história cripto.

