- Exchanges rejeitam imposto e pressionam Governo Lula por revisão.
- Setor alerta que tributos podem expulsar usuários para fora.
- Coinbase busca reunião com Haddad para discutir carga tributária.
O debate sobre tributação ganhou força na Blockchain Conference Brasil, e as principais exchanges deixaram claro que pretendem pressionar o Governo Lula. As empresas afirmaram que a nova carga tributária sobre criptomoedas ameaça a competitividade do setor e pode expulsar usuários brasileiros para plataformas estrangeiras. A mensagem central foi direta: as exchanges dizem NÃO ao imposto cripto e querem mudanças imediatas.
No palco, corretoras como Coinbase, Binance, Ripple e Foxbit reforçaram que o Brasil vive um momento decisivo. As discussões começaram com alertas. Bel Longhi, da Ripple, afirmou que a cobrança de 3,5% sobre toda a cadeia cross-border pode tornar operações internacionais inviáveis. Ela disse que o custo adicional prejudica empresas e usuários. E lembrou que a medida também pode empurrar investidores para ativos mais arriscados.
Mesmo diante das críticas, Bel reconheceu que o Banco Central tem mostrado abertura ao diálogo. Ela afirmou que a autoridade reguladora “parece disposta a aprender junto” com o setor. No entanto, ela insistiu que o impacto tributário precisa ser revisto rapidamente para evitar retração no uso de stablecoins, hoje responsáveis pela maior parte das operações no país.
Durante o evento, a Coinbase apresentou uma postura ainda mais firme. A executiva Júlia Rosin afirmou que a empresa intensificou o diálogo com o Ministério da Fazenda. Ela explicou que a corretora tenta marcar uma reunião direta com Fernando Haddad para apresentar dados e defender uma revisão tributária urgente. Júlia afirmou que o setor não rejeita impostos, mas quer um sistema sustentável. Para ela, o modelo atual ameaça a continuidade das empresas.
Imposto para cripto
Ela também criticou a falta de alinhamento entre Banco Central, Receita Federal e CVM. Segundo ela, essa fragmentação regulatória já cria conflitos graves. Como exemplo, citou falhas da Travel Rule, que exige informações que outros países sequer obrigam as exchanges a coletar. Ela explicou que isso gera “situações impossíveis” na prática.
No mesmo painel, Thiago Sarandy, da Binance, reforçou a necessidade de barrar qualquer tentativa de criar um imposto semelhante à CPMF. Ele lembrou que a Índia adotou uma alíquota de 1% sobre cada operação e viu milhões de usuários migrarem para exchanges estrangeiras. Ele afirmou que repetir o modelo no Brasil seria “um erro desastroso”.
João Canhada, fundador da Foxbit, destacou que boa parte das conquistas recentes só ocorreu porque empresas e entidades atuaram nos bastidores. Ele contou que versões anteriores das normas eram muito mais duras. Entre elas, havia risco real de proibição da autocustódia de criptomoedas. Para ele, isso seria fatal para o setor. Canhada resumiu seu ponto dizendo que “quem não tem autocustódia fica refém”.
As exchanges defenderam que o desafio no Brasil não é tecnológico. Segundo Canhada, a barreira é regulatória. Ele afirmou que produtos como derivativos e crédito só não avançam porque a régua regulatória é alta e pouco permissiva. Para ele, isso impede inovação e reduz a competitividade nacional.
Criptomoedas
As discussões também abordaram o cenário internacional. Bel Longhi lembrou que 2025 foi um ano de virada global, com regulações como o Genius Act, nos EUA, e o MiCA, na Europa. Ela afirmou que a clareza regulatória atraiu gigantes como JPMorgan, BlackRock e Swift. E disse que o Brasil acertou ao adotar um modelo tecnologicamente neutro em pagamentos internacionais.
Além disso, no encerramento, Bel voltou ao tema das stablecoins. Ela afirmou que o projeto de lei do deputado Lucas Ramos é urgente, mas ainda não garante fungibilidade internacional, ponto crucial para ativos usados globalmente. Mesmo assim, ela disse que as conquistas de 2025 superaram os problemas.
Assim, ao final, as exchanges deixaram um recado claro ao governo. Elas pretendem cobrar ajustes do Ministério da Fazenda. E reforçaram que o setor seguirá unido para impedir tributos que ameacem o crescimento do mercado cripto brasileiro.


