- Foundation encerra operações após fracasso na venda para Blackdove
- Plataforma movimentou US$ 230 milhões durante boom de 2021
- Setor de NFTs perdeu 73% da liquidez desde pico histórico
O Foundation, marketplace de NFTs que ganhou destaque durante a explosão do setor em 2021, anunciou o encerramento definitivo de suas operações. A decisão veio após o fracasso nas negociações de venda da plataforma para a Blackdove, empresa de distribuição de arte digital.
Kayvon Tehranian, fundador e CEO do Foundation, confirmou o fechamento através do X (antigo Twitter) nesta quarta-feira. Segundo ele, o objetivo inicial era garantir a continuidade da plataforma sob nova gestão. “Isso não é mais possível”, afirmou o executivo, reconhecendo que a empresa não tem condições de reativar o marketplace.
A plataforma retornará brevemente ao ar com funcionalidades limitadas. Usuários terão um período restrito para remover NFTs listados antes do desligamento completo dos servidores. Essa medida emergencial foi confirmada em comunicado assinado pela equipe da Blackdove, revelando a complexidade da transição fracassada.
Ascensão meteórica durante boom de 2021
Durante o auge do mercado em 2021, o Foundation facilitou mais de US$ 230 milhões em vendas primárias para artistas ao redor do mundo. A plataforma hospedou obras de nomes consagrados como Jen Stark, James Jean e Reuben Wu, estabelecendo-se como um dos principais destinos para arte digital tokenizada na blockchain Ethereum.
Um dos momentos mais marcantes foi a venda do NFT “Stay Free”, criado pelo denunciante Edward Snowden. O comprador arrematou a peça por cerca de 2.200 ETH, equivalentes a US$ 5 milhões na época. O projeto direcionou o valor arrecadado para a Freedom of the Press Foundation, demonstrando o potencial dos NFTs para causas sociais.
A Blackdove anunciou a aquisição no início de 2025, com promessas de manter a plataforma operacional. Um ano depois, a empresa confirmou a transição de propriedade, mas problemas não especificados inviabilizaram a continuidade do negócio.
Onda de fechamentos atinge todo o setor
O fechamento do Foundation não é um caso isolado no mercado de NFTs. Mint Blockchain, rede de infraestrutura para NFTs construída no Ethereum, também anunciou o fim das operações na sexta-feira, instruindo usuários a retirar seus ativos com urgência.
Apenas em 2026, duas outras plataformas importantes já haviam encerrado atividades, Nifty Gateway, apoiada pela exchange Gemini, e Rodeo, plataforma social focada em NFTs comunitários. O Nifty Gateway era considerado um dos marketplaces premium do setor, conhecido por drops exclusivos de artistas famosos.

No ano anterior, MakersPlace e X2Y2 seguiram o mesmo caminho. A X2Y2, que chegou a competir diretamente com o OpenSea oferecendo taxas mais baixas, pivotou completamente para fora do mercado de NFTs. Enquanto isso, a exchange Bybit fechou seu marketplace devido à queda drástica nos volumes de negociação, que caíram mais de 90% desde o pico.
OpenSea domina mercado em declínio
A capitalização de mercado do setor voltou aos níveis pré-2021, segundo dados de fevereiro de 2026. Essa retração evidencia o fim do ciclo especulativo que movimentou bilhões de dólares em arte digital tokenizada.
Dados da DefiLlama revelam concentração extrema no mercado. O OpenSea mantém domínio absoluto, controlando mais de 73% de toda atividade do setor. O Blur aparece como único competidor relevante, focado em traders profissionais com ferramentas avançadas de análise e agregação de liquidez.
Essa consolidação reflete a realidade econômica do setor, com volumes reduzidos, apenas plataformas com escala massiva conseguem gerar receitas suficientes para cobrir custos operacionais. Marketplaces menores, mesmo com propostas diferenciadas, não conseguem atrair liquidez suficiente.
Impacto para investidores brasileiros
A derrocada do mercado de NFTs contrasta fortemente com os recordes de 2021, quando algumas peças chegaram a ser vendidas por até US$ 69 milhões. Hoje, a baixa liquidez tornou insustentável a operação de marketplaces independentes, criando um ambiente dominado por poucos players.
Para investidores brasileiros interessados em alternativas no mercado cripto, a consolidação do setor de NFTs serve como lembrete sobre os riscos de investir em mercados emergentes. A concentração de liquidez em poucos players dominantes indica que o modelo de múltiplos marketplaces competindo pode estar definitivamente morto.
Mesmo com o cenário desafiador, algumas vozes do setor mantêm otimismo cauteloso. Yat Siu, presidente da Animoca Brands, acredita que os NFTs podem recuperar terreno e alcançar novos recordes históricos, mas agora com foco em utilidade real ao invés de especulação pura. Ele aponta para casos de uso em gaming, identidade digital e tokenização de ativos do mundo real como possíveis catalisadores de uma nova fase do mercado.

