- Governo quer acabar com declaração manual do Imposto de Renda
- Novo modelo usa dados automáticos da Receita
- Contribuinte apenas revisa e valida informações
O governo federal apresentou nesta semana uma proposta que pode mudar a forma como os brasileiros lidam com o Imposto de Renda. Durante a primeira reunião ministerial de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pretende acabar com a declaração de Imposto de Renda nos moldes atuais.
A reunião foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e marcou o início de uma agenda focada em simplificação tributária. Segundo o ministro, a ideia já foi encaminhada à Receita Federal, que deve desenvolver um novo modelo baseado em automação.
Hoje, milhões de contribuintes precisam reunir documentos, acessar sistemas e preencher manualmente suas informações. No novo formato, o governo quer eliminar essa etapa e transferir essa responsabilidade para a própria Receita.
“Eu tenho pedido para a Receita que a gente construa um sistema para que a gente não precise declarar mais Imposto de Renda”, afirmou Durigan.
Novo modelo do Imposto de Renda aposta em automação de dados
A proposta se baseia no cruzamento automático de informações financeiras já disponíveis. Bancos, empresas, planos de saúde e outras instituições enviariam dados diretamente ao sistema da Receita Federal.
Além disso, o modelo inclui dados de operações com criptoativos, já que exchanges também reportam informações ao governo. Com isso, a Receita consolidaria tudo em uma declaração pré-preenchida mais completa.
Nesse cenário, o contribuinte não precisaria mais preencher formulários. Ele apenas acessaria o sistema, revisaria os dados e confirmaria as informações apresentadas.
Caso encontre divergências, o usuário poderá fazer ajustes pontuais antes de validar o envio final. Durigan destacou que o Brasil já possui infraestrutura suficiente para implementar esse modelo. Segundo ele, o sistema financeiro é altamente digitalizado, o que facilita a integração de dados.
“As informações já existem, então precisamos apenas organizar isso de forma eficiente”, explicou o ministro.
Mudança será gradual e já começou
Embora o plano represente uma transformação estrutural, o governo não pretende eliminar a declaração de forma imediata. A estratégia será implementar mudanças progressivas nos sistemas atuais.
Nos últimos anos, a Receita Federal já ampliou o uso da declaração pré-preenchida. Agora, a intenção é aprofundar esse modelo até que o processo se torne praticamente invisível para o contribuinte.
Além disso, em 2026, o governo já deu um passo nessa direção. O governo dispensou cerca de 4 milhões de brasileiros da declaração do Imposto de Renda e liberou automaticamente restituições de até R$ 1 mil via Pix.
A Receita classificou essa iniciativa como uma espécie de “cashback tributário”, indicando um movimento para simplificar a relação entre contribuinte e Estado.
Assim, a proposta também busca reduzir o tempo gasto com burocracia e minimizar erros no envio das informações. Ao centralizar os dados, o governo pretende aumentar a eficiência e a precisão do sistema.
Ainda assim, especialistas avaliam que a mudança exigirá ajustes técnicos e legais antes de sua implementação completa. A integração entre diferentes bases de dados será um dos principais desafios.
Mesmo com essas etapas, o anúncio sinaliza uma mudança relevante na gestão tributária. Se implementado como planejado, o modelo pode redefinir a forma como milhões de brasileiros lidam com seus impostos.


