- Stablecoin BRLD nasce lastreada em títulos públicos e focada em uso institucional.
- Projeto tem Itaú, Oliveira Trust e Pátria Investimentos entre os sócios e reforça a corrida por infraestrutura digital.
- Moeda mira liquidação de operações tokenizadas e modernização da tesouraria corporativa com automação e rastreabilidade.
A Liqi, empresa que tem entre seus sócios nomes de peso como Itaú, Oliveira Trust e Pátria Investimentos, anunciou nesta terça-feira o lançamento da BRLD, uma stablecoin pareada 1:1 ao real e desenvolvida para uso institucional. O movimento reforça a entrada definitiva das grandes instituições financeiras brasileiras no debate sobre infraestrutura digital e liquidação on-chain. Isso ocorre em um momento em que o Banco Central acelera a regulamentação de ativos virtuais no país.
A BRLD nasce com foco claro em dois pilares estratégicos. O primeiro é a atuação como moeda de liquidação para operações financeiras tokenizadas, especialmente no mercado de capitais. Esse mercado inclui estruturas de securitização e operações com regras programáveis. O segundo é o uso como instrumento de tesouraria corporativa, oferecendo eficiência operacional para empresas que precisam de liquidez diária, previsibilidade e automação de processos.
Lastro em título públicos federais

A empresa afirma que lastreia a BRLD integralmente em títulos públicos federais, mantendo esses ativos de forma colateralizada e segregada entre governança, custódia e emissão. Esse modelo facilita auditoria, reduz riscos operacionais e cria uma estrutura alinhada ao que o mercado tradicional espera de uma moeda de liquidação institucional. Além disso, a Fact Finance divulga as informações de reserva e de tokens em circulação, o que amplia a transparência e a prestação de contas.
Desse modo, no mercado de capitais, a BRLD pretende atuar como um “real que caminha em blockchain”, permitindo transferências com regras predefinidas por smart contracts. Isso inclui pagamentos de juros, amortizações, distribuição de resultados, controle de inadimplência e trilhas de auditoria completas para cada operação. O conceito de “dinheiro carimbado” surge como diferencial. Isso acontece ao permitir que recursos só sejam usados para fins previstos em contrato, reduzindo riscos de desvio de finalidade.
No pilar de tesouraria corporativa, a stablecoin busca resolver problemas comuns de grandes empresas, como dinheiro parado fora do horário bancário, gestão pulverizada de caixa e falta de instrumentos que combinem liquidez, disponibilidade contínua e simplicidade operacional. Ao consolidar o caixa em uma única infraestrutura e operar com lógica 24/7, a BRLD pretende reduzir fricções e automatizar conciliações.
Nova stablecoin nacional
Dessa forma, o lançamento é apoiado pelo histórico da Liqi na criação de infraestrutura para tokenização. O protocolo proprietário TIDC, utilizado para transformar regras contratuais em smart contracts, registrou mais de R$ 1 bilhão em operações em 2025. Também geriu mais de 900 mil recebíveis em blockchain. Além disso, a empresa também afirma que mais de 75 companhias já estão integradas ao ecossistema. Assim, o objetivo é movimentar R$ 5 bilhões em BRLD somente em 2026.
Além de operar nas redes EVM tradicionais, a stablecoin também opera na XDC Network, blockchain voltada para aplicações institucionais e parceira da Liqi em iniciativas bilionárias de tokenização de RWAs. O projeto inclui auditoria contínua, governança independente e mecanismos de verificabilidade. Isso reforça sua proposta institucional.
Daniel Coquieri, CEO da Liqi, afirma que o objetivo é resolver dores reais de empresas e instituições. “Estamos lançando a BRLD para resolver dores concretas do mercado, principalmente liquidação e operações financeiras tokenizadas, além de um segundo pilar muito forte de tesouraria corporativa. É infraestrutura institucional: feita para empresas e instituições que precisam de previsibilidade, controle e rastreabilidade”, diz.
Assim, a Liqi reforça que, neste primeiro momento, a BRLD não será posicionada como stablecoin para o varejo ou para listagem ampla em exchanges. O foco é consolidar o uso institucional e ampliar a integração com empresas que já utilizam a infraestrutura da companhia.

