No dia 04 de setembro, a Organização Blockchain Research Lab publicou um artigo científico em sua página da web intitulado Mineração Exclusiva para Transações em Blockchain (Exclusive Mining of Blockchain Transactions).

Dentro do segundo tópico do Artigo, o qual aborda as aplicações da mineração exclusiva (2. Applications of Exclusive Mining) há um sub tópico que trata apenas sobre a utilização da mineração exclusiva para a lavagem de dinheiro e a evasão de taxas de mineração (2.3. Money Laundering and Tax Evasion).
No Artigo, os autores Strehle E., e Ante L., explicam que na data de 10 de junho de 2020 foi registrada uma transação na blockchain do Ethereum (ETH) onde o envio de 0,55 ETH entre carteiras resultou numa taxa de transação de US$2,6 milhões de dólares.
Um dia depois, 350 ETHs foram enviados para o mesmo endereço, sendo que novamente a mesma taxa de transação recorde foi utilizada.
Taxas absurdas cobradas para a confirmação de transações não é tão anormal assim, e podem ocorrer devido a falhas de software, ou devido a simples erros de digitação.
No caso destas duas transações que apresentaram taxas anormais de confirmação, a coincidência das criptomoedas terem sido enviadas para o mesmo endereço, assim como também coincidir a mesma taxa extremamente alta de confirmação chamou a atenção.
Uma das explicações para estas altas taxas cobradas que também já foram observadas em outras transações semelhantes é um suposto esquema de lavagem de dinheiro ou evasão fiscal.
Isto apenas é possível porque a mineração exclusiva permite que os mineradores retenham certas transações e as integrem exclusivamente em seus próprios blocos.
Assim, um minerador pode assegurar que uma transação de alto custo não será confirmada por outros mineradores.
Tudo parte do princípio que as taxas de validações de transações representam uma renda regular para os mineradores, e assim, uma vez instigados por criminosos os mineradores participam do esquema e se beneficiam com este tipo de crime.
Para isto, normalmente os custos da transação são deduzidos do saldo de ativos do endereço do corruptor e resgatados pelo minerador que participa do esquema.
Este mecanismo de lavagem de dinheiro apenas é possível porque existem blockchains onde a taxa de transação é exclusiva do minerador; o que gera uma maior dificuldade em se cometer este tipo de crime nas blockchains que utilizam pools de mineração, pois as taxas são distribuídas entre os mineradores.
Neste caso, essas taxas provenientes de um esquema de corrupção podem ser declaradas junto com as demais taxas de mineração recebidas pelo minerador, fazendo com que estes valores lavados se tornem Legais.
Nos casos de evasão fiscal, o minerador declara as taxas como receita enquanto o corruptor deduz a taxa das transações como custos.
Já no caso da lavagem de dinheiro, o montante lavado é devolvido ao corruptor pelo minerador no formato de dinheiro FIAT.
Estes processos corruptivos de lavagem de dinheiro não são frequentes em blockchains, pois devem ser ocultados do resto da rede. Caso qualquer esquema seja detectado em alguma transação suspeita, esta pode ter o seu pagamento bloqueado.
Com isto, os mineradores que participam de esquemas têm criado estratégias diferentes para não serem notados.
O Artigo publicado explica algumas das técnicas utilizadas pelos criminosos para executarem o esquema, e ressaltam que são técnicas bastante complexas.
No final, os pesquisadores concluíram que por as blockchains possuírem transações e taxas abertas e auditáveis, estes tipos de crimes sejam mais complexos e mais difíceis de acontecer.