- Lei reforça mineração doméstica e soberania tecnológica
- Reserva de Bitcoin ganha apoio político nos EUA
- Dependência da China vira preocupação estratégica
O debate sobre mineração de criptomoedas ganhou força nos Estados Unidos. Agora, um novo projeto de lei promete mudar o rumo do setor.
Os senadores Bill Cassidy e Cynthia Lummis apresentaram a proposta chamada “Mined in America Act”, com foco direto na indústria de Bitcoin.
A iniciativa busca fortalecer a produção doméstica, reduzir dependência externa e ampliar o controle estratégico sobre a rede do ativo digital.
Além disso, o projeto surge em um momento sensível, marcado por tensões geopolíticas e disputa tecnológica global.
Segundo os autores, o país precisa agir rápido para evitar que adversários estrangeiros ampliem sua influência sobre o Bitcoin.
Nesse cenário, a proposta também se conecta diretamente com a agenda política de Donald Trump, especialmente sua ideia de criar uma reserva estratégica.
Lei busca reduzir dependência externa e fortalecer indústria
O texto prevê a criação de um sistema de certificação voluntária para mineradores. Assim, empresas poderão receber o selo “Minerado nos Estados Unidos”.
Para obter essa certificação, as companhias deverão eliminar gradualmente equipamentos produzidos por empresas ligadas à China e à Rússia.
Esse ponto se tornou central no debate. Segundo Dennis Porter, CEO do Satoshi Action Fund, cerca de 97% do hash rate global depende de hardware chinês.
Ele classificou essa dependência como um “passivo estratégico”, reforçando a necessidade de autonomia tecnológica.
Além disso, o projeto abre acesso a programas federais de energia e desenvolvimento rural, ampliando incentivos para a indústria.
O governo também deverá apoiar fabricantes nacionais na criação de equipamentos de mineração dentro do próprio território americano.
A proposta segue uma lógica semelhante à Lei de Chips e Ciência, sancionada em 2022, que buscou fortalecer a produção interna de semicondutores.
Ao mesmo tempo, os legisladores destacam que a mineração pode gerar empregos e impulsionar regiões com infraestrutura energética disponível.
Para Cassidy, a atividade já faz parte da economia digital e precisa ser tratada como prioridade nacional.
Reserva estratégica de Bitcoin ganha força política
O projeto também consolida, em nível legislativo, a proposta de criar uma reserva estratégica de Bitcoin nos Estados Unidos.
A ideia foi defendida por Donald Trump durante sua campanha, como forma de posicionar o país no centro da economia digital.
No entanto, ainda existem desafios práticos. O governo precisa definir como financiar essa reserva sem impactar o orçamento público.
Uma das alternativas sugeridas por Lummis envolve o uso de US$ 14,4 bilhões em Bitcoin apreendidos pelo departamento de justiça.
Esse montante veio de operações contra esquemas globais de fraude, sendo uma das maiores apreensões da história.
Enquanto isso, o interesse político cresce. A família Trump também entrou no setor com o projeto American Bitcoin, focado em mineração.
O Documento enviado à SEC mostram que a operação utiliza equipamentos avançados, como Bitmain S21 e MicroBt M5X e M6X.
Paralelamente, o setor enfrenta pressão econômica. A queda recente do Bitcoin reduziu margens e levou mineradores a buscar novas fontes de receita.
Muitos já migraram parte da operação para infraestrutura de inteligência artificial, aproveitando a alta demanda por data centers.
Mesmo assim, os defensores da lei acreditam que o país precisa liderar esse movimento.
Ainda mais, para Lummis, garantir soberania sobre o Bitcoin significa também proteger o futuro financeiro dos Estados Unidos.


