- Airdrop da OneFootball beneficia apenas 25 mil de 38 milhões
- Comunidade acusa projeto de injustiça e possível golpe
- OneFootball enfrenta crise de confiança antes da Copa
A plataforma global de mídia esportiva OneFootball, que afirma ter mais de 200 milhões de usuários mensais, enfrenta críticas após divulgar os detalhes de seu aguardado airdrop de tokens. A empresa anunciou que apenas 25 mil usuários considerados de “alto nível” receberão recompensas. Cada participante poderá receber uma distribuição máxima de até 100 mil tokens OFC. A decisão gerou forte reação negativa na comunidade. Ou seja, muitos passaram a questionar a transparência e a equidade do processo.
O modelo de distribuição prevê um sistema de desbloqueio escalonado. Usuários que optarem por bloquear os tokens por três meses terão acesso a 30% do total. Já períodos de seis e nove meses elevam esse percentual para 65% e 100%, respectivamente. No entanto, apenas 10% dos tokens ficam disponíveis no momento do evento de geração de tokens (TGE), marcado para 9 de abril. Esse formato aumentou a insatisfação. Especialmente entre participantes que esperavam liquidez imediata.
OneFootball, será um golpe?

A reação nas redes sociais foi rápida. Muitos usuários relataram ter investido tempo e dinheiro no ecossistema. Isto inclui a compra de badges por US$ 1 e participação em tarefas diárias, como previsões de jogos e interações sociais. Ainda assim, a grande maioria ficou fora da lista de recompensas. Com mais de 38 milhões de carteiras conectadas ao programa de fidelidade OneFootball Club, a seleção de apenas 25 mil beneficiados significa que mais de 99,9% dos participantes não receberão tokens.
O episódio ocorre em um momento estratégico para a empresa, que tenta reposicionar seu modelo de negócios para o universo Web3 antes da Copa do Mundo de 2026. Desde 2022, a OneFootball busca integrar sua base de usuários ao ambiente blockchain. Nesse ano, levantou US$ 300 milhões em uma rodada liderada por investidores como Animoca Brands e Dapper Labs. No entanto, a primeira tentativa com NFTs, por meio da plataforma AERA, fracassou e resultou no encerramento do projeto em 2023. Isso também levou à saída do então CEO.
Especialistas apontam que o caso evidencia um desafio estrutural enfrentado por grandes plataformas ao migrar para o Web3. Quanto maior a base de usuários, maior a diluição das recompensas e menor a percepção de valor para os participantes. Embora não haja indícios de fraude técnica ou manipulação de contratos, o episódio já provocou uma perda de confiança relevante. A empresa afirmou que continuará ajustando o modelo e prometeu benefícios futuros, mas não respondeu diretamente às demandas por reembolso ou mudanças na distribuição. Agora, o sucesso do projeto dependerá da entrega de produtos e da capacidade de reconquistar a confiança da comunidade antes da próxima Copa do Mundo.

