- Seis contas recém-criadas na Polymarket lucraram quase US$ 1 milhão horas antes dos ataques ao Irã.
- Apostas foram feitas pouco antes da operação militar, levantando suspeitas de informação privilegiada.
- Casos anteriores reforçam padrão crescente de traders lucrando com eventos geopolíticos sensíveis
Novas contas na plataforma Polymarket chamaram atenção de analistas, porque renderam US$ 1 milhão poucas horas antes dos ataques aéreos dos Estados Unidos contra o Irã. A descoberta surgiu após a empresa Bubblemaps analisar movimentações on-chain. Em seguida, a empresa identificou seis carteiras que lucraram de forma incomum no mesmo dia em que as forças americanas e israelenses iniciaram a operação militar.
Os analistas observaram que essas carteiras foram criadas e financiadas menos de 24 horas antes dos bombardeios. E, além disso, todas apostaram diretamente no contrato que previa ataques até 28 de fevereiro. Assim, as compras de posições surgiram apenas algumas horas antes das aeronaves de ambos os países entrarem em ação.
A principal carteira transformou cerca de US$ 61 mil em quase US$ 500 mil, algo que imediatamente levantou suspeitas. E, à medida que os dados surgiram, outras contas também revelaram ganhos significativos. Uma delas saiu de uma posição de US$ 30 mil para um lucro aproximado de US$ 120 mil, reforçando a sensação de que as apostas foram extremamente precisas.
Outra carteira, que vinha apostando há meses contra a possibilidade de um ataque, acabou registrando o movimento oposto. O perfil acumulava US$ 2 milhões em ganhos, porém perdeu US$ 6,5 milhões em apenas um dia. Esse prejuízo evidenciou que muitos apostadores foram surpreendidos pela ação militar, enquanto um pequeno grupo pareceu agir com enorme antecedência.
Polymarket e a guerra
A Bubblemaps classificou o conjunto das seis carteiras como “suspeitos de informação privilegiada”, porque todas exibiram padrões muito parecidos: pouco histórico, depósitos rápidos e apostas concentradas em um único contrato. O CEO da empresa afirmou que nunca é possível ter certeza absoluta. No entanto, ressaltou que o timing das transações e o tamanho dos valores tornam a hipótese bastante forte.
Esses episódios não aparecem isolados. Ao contrário, formam um padrão crescente dentro da Polymarket. Em janeiro, uma conta recém-criada faturou mais de US$ 400 mil ao apostar na saída de Nicolás Maduro. Isso ocorreu horas antes da operação militar que provocou sua queda. Em outro caso, autoridades israelenses denunciaram um reservista e um civil por usar informações sigilosas para lucrar em contratos sobre ataques durante a guerra de 2025.
Além disso, novas suspeitas surgiram recentemente, quando traders lucraram mais de US$ 1 milhão em apostas ligadas à investigação do analista ZachXBT. Portanto, o debate sobre o uso de informação privilegiada voltou a ganhar força, especialmente porque contratos geopolíticos movimentam grandes volumes.
A família de contratos “US strikes Iran” já superou US$ 529 milhões em negociações, o que pressiona autoridades a agir. Enquanto isso, a plataforma insiste que traders informados ajudam na descoberta de preços. Por outro lado, rivais defendem regras rígidas semelhantes às aplicadas em bolsas como NYSE e Nasdaq.
Assim, o episódio reacende discussões sobre transparência, risco regulatório e o futuro dos mercados de previsão. Isso acontece justamente em um momento no qual os conflitos globais seguem imprevisíveis e cada informação pode valer milhões.


