SoFi lança SoFiUSD na Ethereum e Solana e vira 1º banco dos EUA com stablecoin

  • SoFi vira 1º banco nacional dos EUA com stablecoin dentro de app bancário
  • SoFiUSD roda em Ethereum e Solana e é resgatável 1:1 em dólar
  • Roadmap inclui depósitos tokenizados com FDIC e listagem na Bullish

A SoFi Technologies tornou-se o primeiro banco nacional dos Estados Unidos a oferecer uma stablecoin própria dentro do aplicativo bancário usado pelos clientes. O token, batizado de SoFiUSD, foi lançado nesta quarta-feira e fica disponível para cerca de 15 milhões de membros da fintech sediada em San Francisco. A stablecoin sofiusd opera nas redes Ethereum e Solana.

O token é resgatável na proporção de um para um em dólar diretamente pelo SoFi Bank. A instituição mantém ativos líquidos como lastro para todas as unidades em circulação e contratou auditores independentes para emitir atestados periódicos das reservas. A própria empresa, porém, fez questão de avisar: a SoFiUSD não tem cobertura do FDIC e carrega os riscos típicos de qualquer ativo digital.

Dentro do app, o usuário pode comprar, vender, manter e converter o token sem sair do mesmo ambiente em que já paga contas, investe e contrata crédito. É a primeira vez que uma stablecoin emitida por um banco com charter federal nos EUA aparece diretamente em uma plataforma bancária de varejo.

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O que muda no modelo bancário americano

Até aqui, stablecoins reguladas como USDC e USDT chegavam ao consumidor por meio de exchanges ou carteiras independentes. A SoFi inverte o fluxo: o token nasce dentro do banco e pode ser usado sem que o cliente migre saldo para fora do ambiente bancário.

O CEO Anthony Noto resumiu a aposta ao dizer que os clientes não precisam mais escolher entre tecnologia blockchain e produtos bancários regulados. A frase aponta para um movimento de convergência que outros bancos americanos vêm testando, mas que dependia de clareza regulatória para sair do papel.

O lançamento se apoia em duas peças legislativas. O GENIUS Act, sancionado por Donald Trump no ano passado, definiu regras específicas para emissão e negociação de stablecoins. O Clarity Act, em tramitação no Congresso, deve estabelecer pela primeira vez um marco federal para o mercado cripto mais amplo. Sem esses dois pilares, dificilmente um banco com charter nacional teria autorização para emitir um token dolarizado próprio. Detalhes do produto constam no comunicado oficial da SoFi.

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Roadmap e leitura para o investidor brasileiro

A SoFi já desenhou os próximos passos. A empresa pretende permitir que os usuários convertam SoFiUSD em depósitos tokenizados elegíveis ao seguro do FDIC, habilitar transferências internacionais 24 horas por dia a custo baixo e listar a moeda na corretora institucional Bullish. O combo aproxima o produto de algo que hoje só existia em formato de stablecoin de cripto-empresa, mas com lastro bancário direto.

O movimento conversa com tendências que já apareceram no mercado. A Circle cunhou US$ 250 milhões em USDC na Solana em apenas seis horas no fim de maio, sinal da pressão por liquidez em dólar tokenizado. Quem acompanha o fluxo pode ver o detalhamento em cunhagem de USDC na Solana. A entrada de um banco regulado nessa disputa muda o equilíbrio: bancos podem oferecer rendimento sobre depósito tokenizado, algo que emissores não bancários não conseguem replicar.

Para o investidor brasileiro, o efeito é indireto, mas relevante. Stablecoins emitidas por bancos americanos tendem a virar trilho preferido para remessas e liquidação cross-border, área em que o Banco Central vem testando o Drex e a interoperabilidade com ativos tokenizados. Exchanges nacionais que listam USDC e USDT já discutem como acomodar uma nova geração de tokens bancários sem perder competitividade — e o mesmo movimento ajuda a explicar por que a B3 acelerou seu projeto de tokenização de ativos listados.

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O Bitcoin, negociado a US$ 74.855 nesta quarta-feira, opera em queda de 1,3% nas últimas 24 horas, enquanto o Ethereum está em US$ 2.052. A integração de novos emissores institucionais ao ecossistema Ethereum costuma reduzir a percepção de risco regulatório sobre a rede, fator monitorado por gestores que ainda estudam exposição direta ao ETH.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.