- USDC supera o USDT pela primeira vez em volume anual onchain.
- Regulação global e carteiras digitais aceleram o avanço institucional das stablecoins.
- Tether reage com o lançamento do USAT para atender padrões dos EUA.
A indústria de stablecoins vive um momento histórico. Pela primeira vez, o USDC supera o USDT em volume anual de transações, marcando uma mudança estrutural no mercado global. O dado aparece no novo relatório da Bitget Wallet, divulgado nesta quinta-feira, e revela que as moedas estáveis movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em liquidação onchain em 2025, enquanto a oferta total cresceu mais de 50%.
Segundo o levantamento, o USDC processou US$ 18,3 trilhões ao longo do ano, ultrapassando os US$ 13,3 trilhões liquidados pelo USDT. A ultrapassagem acontece em um ambiente no qual bancos, fintechs e grandes empresas aceleram sua entrada na infraestrutura digital. Assim, a preferência institucional por ativos regulados abriu espaço para que o USDC ganhasse força justamente quando a demanda por previsibilidade cresce.
Especialistas afirmam que esse avanço não se explica apenas pela competição direta. O movimento parece surgir de um novo vetor de demanda, impulsionado por casos de uso programáveis. Guilherme Bissoli, executivo da CoinsXYZ, avalia que integrações com IA agents, pagamentos automatizados e tesourarias algorítmicas ampliaram o papel do USDC em setores que exigem transparência e conformidade regulatória.
Ao mesmo tempo, a regulação global deu um salto em 2025. Nos Estados Unidos, o GENIUS Act criou diretrizes claras para emissores de stablecoins, oferecendo segurança jurídica a investidores institucionais. Na Europa, o MiCA consolidou um padrão unificado, incentivando o uso corporativo. Em Hong Kong, a criação do Stablecoin Issuer Regulatory Regime colocou as emissões sob supervisão direta, atraindo bancos e empresas de tecnologia para a nova estrutura.
Stablecoins
A Tether, por sua vez, iniciou um processo de reposicionamento com o lançamento do USAT, uma stablecoin em dólar projetada para atender às exigências de reguladores norte-americanos. O anúncio marca a primeira tentativa da empresa de aproximar seu produto principal de padrões mais rígidos de compliance.
Além das mudanças regulatórias, novas tecnologias influenciaram o cenário. As carteiras digitais passaram a atuar como camadas de distribuição e orquestração financeira, funcionando como interfaces unificadas de pagamento e mecanismos programáveis de execução. Com isso, as stablecoins assumiram papel central em modelos PayFi, nos quais fundos mantidos em trânsito geram rendimento automático sem comprometer liquidez.
Desse modo, o estudo também mostra que stablecoins locais ganharam espaço. Na Europa e na Ásia, moedas digitais atreladas a moedas nacionais já operam como trilhos domésticos de pagamento, integradas a sistemas parecidos com o PIX brasileiro e o SPEI mexicano. Essa expansão fortalece a presença das stablecoins no cotidiano de empresas e consumidores.
Assim, para 2026, a projeção aponta para um cenário em que carteiras digitais se consolidam como principal interface financeira global, enquanto stablecoins se tornam trilhos invisíveis de liquidação. A Bitget Wallet prevê ainda que agentes de IA ultrapassarão humanos em volume de transações, impulsionando um sistema financeiro mais automatizado.


