Vitalik admite ter 90% do patrimônio em Ethereum

Vitalik afirma que Ethereum Foundation virará entidade menor e focada em valores cypherpunk

  • Organização controla 0,16% do supply de ETH, equivalente a US$ 408 milhões
  • Co-fundador revela que 90% do patrimônio pessoal continua atrelado ao ethereum

Vitalik Buterin descreveu neste domingo um novo desenho para a Ethereum Foundation, em meio à saída de pesquisadores veteranos e à pressão de investidores insatisfeitos com os rumos do braço sem fins lucrativos do Ethereum. Em publicação extensa no X, o co-fundador disse que a entidade vai se tornar “um navio menor”. O escopo operacional será encolhido e o foco em valores cypherpunk.

A reorganização chega depois de meses de desgaste interno. A fundação passou por uma onda de demissões iniciada após a publicação de um novo mandato em março. Este documento reforçou o desinteresse da organização em sustentar o preço do ETH. Citou ainda referências ao polêmico projeto de NFTs Milady Maker.

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O que muda com o modelo CROPS

Vitalik faz limpa em carteira e derruba preço de criptoativos
Foto: Vitalik Buterin

Sob a condução do co-diretor executivo interino Bastian Aue, a Ethereum Foundation passa a se organizar em torno do CROPS, sigla em inglês para resistência à censura, abertura, privacidade e segurança. Buterin classificou como “caminho para a mediocridade” uma estratégia voltada apenas a transações rápidas e baratas, dando a entender que escalabilidade pura não basta para diferenciar o ecossistema.

Buterin também redefiniu o papel institucional do grupo. A fundação atua como “um nó, com propósito definido, ao lado de outros nós”, e não como peça essencial da missão maior da rede.
. O argumento marca distanciamento do papel de “guardiã eterna”. Parte da comunidade atribui esse papel ao órgão criado há mais de uma década.

Entre os nomes recentes que abandonaram a organização está Dankrad Feist, ex-pesquisador de primeira linha. Ele defendeu publicamente a criação de uma entidade economicamente alinhada para “salvar o ethereum”, submetida a um conselho de pessoas interessadas na valorização do ativo. Vale notar que essa proposta é diametralmente oposta à filosofia atual da fundação.

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Menos vendas de ETH no mercado

Assim, um dos pontos sensíveis para investidores é a política de vendas. Buterin afirmou que a fundação passará a vender menos ETH, ainda que entre em período de “austeridade moderada”.

A organização controla cerca de 0,16% do supply total do ativo. Esse montante é avaliado em US$ 408 milhões. As vendas históricas viraram alvo de críticas, especialmente em ciclos de queda. Nesses momentos, parte da comunidade acusou o grupo de pressionar o preço justamente nos momentos mais frágeis.

Apesar de defender que a fundação não atue como motor de preço, Buterin reforçou o próprio alinhamento financeiro com o protocolo. Ele declarou que cerca de 90% de seu patrimônio líquido está atrelado ao ETH, segunda maior criptomoeda por valor de mercado. O co-fundador também sinalizou que seu próprio poder dentro da estrutura “continuará a diminuir, o que é honestamente o que eu quero”, em sua publicação no X.

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Preço do Ethereum

Assim, as prioridades técnicas listadas miram três frentes: a construção de um ambiente comprovadamente livre de bugs com auxílio de inteligência artificial, a preservação das propriedades de consenso únicas da rede e a redução da dependência de intermediários em transações.

Além disso, o recado se aproxima das críticas internas feitas por pesquisadores que defenderam a fundação nas últimas semanas. Assim, isso dialoga com o debate maior sobre o papel do braço sem fins lucrativos em conter ou estimular o preço do ativo.

Além disso, o Ethereum abaixo de US$ 2.200 representa uma queda de 1,6% na semana, segundo dados da CoinGecko. A capitalização ronda US$ 255,4 bilhões, e o ativo acumula recuo de 57% ante a máxima histórica de US$ 4.950 registrada em agosto.

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Assim, esse pano de fundo ajuda a explicar por que parte dos detentores cobra postura mais agressiva da fundação. Movimentos como o short de US$ 100 milhões aberto por uma baleia reforçam o ambiente de pressão sobre o preço.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.