Na última sexta-feira (5), o Wells Fargo anunciou aos venezuelanos a perda de acesso à rede de pagamentos digitais Zelle. Apesar dos venezuelanos viverem em meio à tantas incertezas financeiras, a notícia foi um choque para o país.
As notícias se espalharam rapidamente pelas mídias sociais e se tornaram um trending topic no Twitter na Venezuela. Enquanto os usuários lutavam para descobrir os detalhes do aviso que o Wells Fargo enviou aos seus clientes bancários, os aficionados por criptomoedas apontavam para outras alternativas já existentes.
De acordo com e-mails da empresa que foram compartilhados no Twitter, o Wells Fargo notificou seus clientes na Venezuela que não suportaria mais a capacidade de enviar e receber dinheiro através do Zelle. O banco citou a Seção 28 (b) do Contrato de Acesso Online e a seção 6B do Adendo ao Serviço de Transferência de Zelle em seu email.
No entanto, Zelle é um dos meios de pagamento mais populares na Venezuela. Segundo o diretor da agência de consultoria econômica Ecoanalitica, Asdrubal Oliveros, “mais de 60% dos pagamentos nos centros urbanos são feitos em dólares. E cerca de 12% [desses pagamentos] usam o serviço popular Zelle”.
Enquanto alguns usuários especulam que a decisão do banco americano pode ter algo a ver com as sanções unilaterais impostas pelo governo dos EUA contra a Venezuela, o economista da Ecoanalstica, Guillermo Arcay Finlay, discordou. A mudança foi mais provável devido a uma violação nos termos de serviço, segundo ele.
No entanto, a perda do suporte da Zelle segue decisões de outros serviços de pagamento, como Transferwise e Payoneer, que mencionaram explicitamente sanções americanas pelo término de seus serviços na Venezuela. Ainda não está claro se outros bancos que apoiam Zelle, como Bank of America, Capital One e JPMorgan Chase, seguirão o exemplo de Wells Fargo.
Solução em criptomoedas
A notícia fez com vários usuários falassem da necessidade de sistemas de pagamento resistentes à censura. Do Bitcoin às stablecoins, os entusiastas de criptomoedas não encontraram falta de alternativas para solucionar o problema.
Além disso, recentemente surgiram iniciativas baseadas em cripto na região que atendem especificamente aos usuários que precisam de acesso a dólares e métodos de pagamento alternativos, mas sem realmente lidar com criptomoedas ou com seu armazenamento.

