Maior operadora de Caixas Eletrônicos de Bitcoin vai à falência

  • Bitcoin Depot entra com pedido de Chapter 11 e desliga rede de 9.276 ATMs
  • Receita do 1º trimestre caiu 49% e empresa virou prejuízo de US$ 9,5 milhões
  • Ação BTM desabou 74% no dia do anúncio e fechou em US$ 0,75

A Bitcoin Depot (NASDAQ: BTM), maior operadora de caixas eletrônicos de Bitcoin da América do Norte, protocolou pedido de recuperação judicial sob o Capítulo 11 da lei de falências dos Estados Unidos. A empresa, sediada em Atlanta, vai encerrar as operações e leiloar seus ativos. Toda a rede de quiosques já foi tirada do ar.

O anúncio foi feito em 18 de novembro e atingiu em cheio os acionistas. Além disso, os papéis da companhia despencaram 74% no pregão, fechando a apenas US$ 0,75. Era uma fração do valor com que a empresa estreou na Nasdaq, em 2023, quando se posicionou como a maior operadora de ATMs cripto do mundo.

Colapso financeiro em um trimestre

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Assim, o balanço do primeiro trimestre antecipou o naufrágio. A receita encolheu 49% na comparação anual e a companhia passou de um lucro de US$ 12,2 milhões no mesmo período do ano anterior para um prejuízo de US$ 9,5 milhões. A inversão em apenas doze meses derreteu a tese de crescimento que sustentava o IPO.

A direção atribuiu o tombo ao aperto regulatório. Em 2024, a Bitcoin Depot mantinha 9.276 quiosques ativos em pontos de varejo nos Estados Unidos, Canadá e Austrália. Assim o modelo permitia converter dinheiro em espécie em BTC sem intermediação bancária — algo cada vez mais incompatível com as novas exigências de prevenção à lavagem.

O Canadá já discute proibir ATMs de criptomoedas, e cidades americanas como Spokane e Stillwater seguiram pelo mesmo caminho nos últimos meses. A Austrália impôs limites de transação após detectar uso massivo desses caixas em golpes contra idosos. O cerco mudou a economia do negócio.

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Processos e acusações de fraude

A empresa também enfrenta ações movidas pelos procuradores-gerais de Massachusetts e Iowa. Asssim, as acusações apontam que a Bitcoin Depot teria facilitado golpes contra consumidores, em especial idosos induzidos a depositar dinheiro nos quiosques sob orientação de fraudadores que se passavam por agentes do governo.

Além disso, os números explicam o aperto. Em 2025, as perdas reportadas em fraudes envolvendo ATMs cripto atingiram um recorde de US$ 389 milhões nos Estados Unidos, alta de 58% sobre 2024, segundo a Federal Trade Commission. O dado pode ser consultado no painel oficial da FTC. Assim, a pressão política ficou insustentável.

O desfecho também serve de alerta para empresas listadas que apostaram em estruturas de cripto-varejo. A onda de aberturas de capital de 2023 incluiu mineradoras, exchanges e operadoras de infraestrutura — e parte delas começa a mostrar fragilidade. Assim, a pressão se soma a um cenário já difícil para o setor, com saídas pesadas de ETFs de Bitcoin e balanços negativos de tesourarias corporativas. O alerta de risco emitido pela própria Bitcoin Depot em outubro já antecipava o desenlace, conforme detalhado na análise do balanço trimestral.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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