- Suprema Corte da China quer leis mais duras contra crimes com criptomoedas.
- Redes de língua chinesa movimentaram US$ 16 bilhões ilícitos em 2025.
- Tribunais julgaram 2,7 milhões de casos financeiros no último ano, alta de 2%.
A China intensificou o cerco contra crimes envolvendo criptomoedas.
A Suprema Corte do país anunciou que pretende endurecer punições e criar normas mais claras para lidar com fraudes, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro digital.
Suprema Corte quer ampliar poderes e unificar decisões
A Supreme People’s Court, mais alta instância judicial chinesa, afirmou que precisa reagir ao crescimento dos crimes financeiros ligados a ativos digitais.
Segundo Wang Chuang, diretor da Segunda Divisão Civil:
“devemos conduzir pesquisas e fortalecer nossas respostas a novos tipos de crimes financeiros, em setores como finanças da cadeia de suprimentos, internet e criptomoedas”.
Além disso, o tribunal quer reduzir a dependência de precedentes judiciais em casos cripto, proposta prevê um conjunto mais amplo de leis específicas. Portanto, juízes terão base legal mais direta para aplicar penas severas.
Em 2025, tribunais chineses analisaram mais de 2,7 milhões de casos financeiros, o número representa alta de 2% frente a 2024. Parte relevante envolve ativos digitais.
Enquanto isso, a empresa de análise blockchain Chainalysis revelou que redes de lavagem de dinheiro em língua chinesa processaram 20% dos fundos ilícitos globais nos últimos cinco anos.
Somente em 2025, esses grupos movimentaram mais de US$ 16 bilhões. Isso equivale a cerca de US$ 44 milhões por dia.
Pequim reforça política de tolerância zero
O endurecimento judicial ocorre após novas medidas regulatórias. Em dezembro, o People’s Bank of China reforçou que continuará combatendo “especulação e negociação” com criptomoedas.
O banco declarou que manterá a proibição de plataformas de negociação e reprimirá atividades financeiras ilegais ligadas a moedas virtuais. Além disso, neste mês, autoridades proibiram a maioria das stablecoins atreladas ao yuan.
Por outro lado, golpes seguem crescendo, em Macau, uma investidora perdeu US$ 163 mil após baixar um aplicativo falso de negociação. Inicialmente, ela conseguiu sacar US$ 70. Entretanto, ao tentar retirar valores maiores, recebeu cobrança de um suposto imposto.
A polícia identificou a plataforma como fraudulenta, o caso ilustra a sofisticação crescente dos esquemas.
Portanto, a ofensiva judicial mira dois alvos, de um lado, combate redes estruturadas de lavagem. De outro, tenta proteger investidores de varejo.
A China mantém posição rígida contra criptomoedas privadas. Ao mesmo tempo, desenvolve seu próprio yuan digital. Assim, o movimento reforça a estratégia estatal de controle financeiro e supervisão centralizada.
Nos próximos meses, novas normas devem consolidar padrões judiciais unificados, caso avancem, as medidas podem ampliar penas e acelerar julgamentos. O impacto, entretanto, tende a extrapolar as fronteiras chinesas, sobretudo em redes globais de criptoativos.

