Congresso dos EUA propõe força-tarefa do DOJ para crimes cripto

  • Projeto bipartidário coloca DOJ como coordenador federal de investigações cripto
  • FBI registrou US$ 11 bilhões em perdas com cripto nos EUA em 2024
  • Texto não cria nova regulação nem amplia poderes de agências federais

Um projeto bipartidário apresentado na Câmara dos Estados Unidos quer transformar o Departamento de Justiça (DOJ) no coordenador central das investigações sobre roubos, fraudes e golpes envolvendo criptomoedas. A proposta, assinada pelo republicano Lance Gooden e pelo democrata Josh Gottheimer, foca em doj como articulador entre agências federais, estaduais e locais, sem criar nova regulação para o mercado.

O texto reúne sob o mesmo guarda-chuva nomes pesados, FBI, Homeland Security Investigations e o FinCEN, braço de inteligência financeira do Tesouro. A força-tarefa teria a missão de padronizar coleta de provas, análise forense em blockchain, rastreamento de ativos e atendimento a vítimas.

O contexto explica a urgência. Segundo o Internet Crime Report de 2025 do FBI, americanos relataram mais de US$ 11 bilhões em perdas relacionadas a criptoativos no ano passado. O número coloca o setor entre as principais frentes de crime financeiro nos EUA e pressiona o Congresso a entregar resposta institucional, mesmo num ambiente político polarizado.

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Fonte: Gooden.house.gov

O que muda na prática para as investigações

O projeto é explícito ao dizer o que não faz. Ele não autoriza novas regras para o mercado cripto, não amplia a jurisdição de agências federais nem cria novos tipos penais. A aposta é puramente operacional: tirar do papel uma coordenação que hoje funciona caso a caso.

Entre as atribuições da nova estrutura estão treinamento técnico para polícias estaduais e municipais, cooperação com autoridades estrangeiras em investigações transfronteiriças e a entrega de relatórios anuais ao Congresso. Esses documentos devem mapear ameaças emergentes, gargalos de aplicação da lei e sugestões de política pública caminho típico para futuras leis ganharem tração.

O movimento ocorre enquanto as empresas de inteligência blockchain aceleram o uso de inteligência artificial. Em março, a TRM Labs lançou o Co-Case Agent, assistente de IA que rastreia fluxos de fundos e sugere passos investigativos a partir de comandos em linguagem natural. A Chainalysis anunciou agentes semelhantes no mesmo mês, com lançamento programado para o verão americano e foco em compliance e investigações.

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Hackers roubaram US$ 630 milhões só em abril

O timing da proposta dialoga com números recentes do setor. Dados da DeFiLlama mostram que invasores subtraíram cerca de US$ 630 milhões em abril, maior perda mensal do mercado cripto desde fevereiro de 2025. O ritmo se mantém alto em 2026, com episódios como o ataque ao Humanity Protocol e exploits em protocolos DeFi pressionando o debate por enforcement mais coordenado.

A leitura editorial é que o projeto americano espelha uma tendência global de delegar à polícia financeira o que antes era tratado como problema de mercado. O Reino Unido empurrou a prevenção de fraude para os bancos em sua estratégia 2026-2029, e a Coreia do Sul firmou parceria com a Chainalysis para conter crimes envolvendo ativos digitais. O DOJ chegaria, agora, para fechar esse cerco no maior mercado financeiro do mundo.

Brasil acompanha movimento com Receita e Polícia Federal

Para o investidor brasileiro, a proposta dos EUA importa por dois motivos. Exchanges como Binance, Coinbase e Kraken terão de adotar cooperação internacional, acelerando bloqueios de carteiras suspeitas no Brasil. Modelo americano tende a orientar Polícia Federal, Receita e Banco Central em projetos de rastreamento on-chain no Brasil.

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O Brasil discute em paralelo seu próprio arcabouço. Um projeto de lei recente mira ajustes no marco regulatório, enquanto a CVM coloca a tokenização no centro de sua agenda regulatória. Engenharia institucional do DOJ coordena sem ampliar poder policial e tende a inspirar ações antifraude sem travar inovação.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.