- Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,35% dos votos válidos, contra 44,78% de Lula, levando a disputa presidencial para o segundo turno.
- Lula e Flávio aparecem como “sem posição sobre cripto” e com zero declarações no levantamento do movimento Juntos por Cripto.
- Coinbase pede stablecoins sem IOF, enquanto ABcripto apresentou aos presidenciáveis sete propostas para o setor; no entorno de Flávio, empresários ligados a uma rede que inclui os fundadores da Gemini mantiveram interlocução com sua campanha.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial de 2026, marcado para 25 de outubro, em uma corrida que também começa a atrair a atenção do mercado brasileiro de criptomoedas.
Com 97,7% das urnas totalizadas o segundo turno está desenhado no Brasil já que, numericamente, nenhum candidato ultrapassou 50% dos votos válidos, os dois mais votados avançaram para a rodada final.
O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral estabelece 25 de outubro, domingo, como a data do segundo turno para presidente e governador nos estados onde houver nova votação.
Um dado interessante é que historicamente quem venceu o primeiro turno para presidente do Brasil sempre venceu o segundo turno desde a redemocratização e o retorno das eleições diretas em 1989.
O Histórico Presidencial.
Em todas as eleições presidenciais brasileiras que exigiram segundo turno (1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022), o candidato que ficou em primeiro lugar na etapa inicial manteve a vantagem e ganhou a eleição. Nunca houve uma “virada” na disputa presidencial do Palácio do Planalto do primeiro para o segundo turno.
Eleições 2026
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Presidente
Lula e Flávio chegam ao segundo turno sem posição sobre cripto
O levantamento do Juntos por Cripto, braço brasileiro do movimento internacional Stand With Crypto, classifica tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro como candidatos “sem posição sobre cripto”.
Na base da organização, Lula aparece com zero declarações registradas sobre o tema. Flávio Bolsonaro também possui zero declarações catalogadas.
Isso não significa que o próximo presidente ficará distante das decisões envolvendo o setor. Pelo contrário. O governo eleito encontrará um mercado que atravessa sua maior transformação regulatória desde a aprovação do marco legal dos ativos virtuais.
Questões envolvendo stablecoins, tributação, regras cambiais, licenciamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais, tokenização e supervisão do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários devem continuar na agenda econômica durante os próximos quatro anos.
Por isso, empresas e representantes do mercado começaram ainda durante o primeiro turno uma ofensiva para colocar esses assuntos no debate eleitoral.
Entorno de Flávio tem conexão com nomes importantes de cripto
Embora Flávio Bolsonaro não tenha assumido publicamente uma agenda específica para criptomoedas, há uma conexão mais visível entre pessoas ligadas ao seu entorno político e empresários internacionais com forte atuação no mercado cripto.
Um dos principais casos envolve a Rockbridge Network, rede conservadora norte-americana criada por J.D. Vance, atual vice-presidente dos Estados Unidos, e Chris Buskirk.
A organização reúne empresários e investidores relevantes do setor de tecnologia. Entre os nomes que participam de encontros da rede estão Tyler e Cameron Winklevoss, fundadores da exchange de criptomoedas Gemini e dois dos investidores mais conhecidos da indústria global de Bitcoin.
Reportagem da Folha revelou que empresários ligados à Rockbridge prestaram apoio informal, com relatórios e consultoria, ao entorno da campanha de Flávio Bolsonaro. Documentos revelados também mostraram a proposta de criação de um chamado Conselho de Tecnologia, que buscaria aproximar investidores estrangeiros de um eventual governo comandado por Flávio.
A presença dos Winklevoss nesse ecossistema chama particularmente a atenção do mercado cripto. Além de fundadores da Gemini, os irmãos são grandes investidores em Bitcoin e figuram entre os empresários da indústria que passaram a ter participação crescente no financiamento e na articulação política nos Estados Unidos.
Essa aproximação, entretanto, não significa que os Winklevoss, a Gemini ou o setor de criptomoedas estejam financiando ou apoiando oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro no Brasil.
A Rockbridge afirmou que sua iniciativa brasileira não entrou efetivamente em operação e que não realizou repasses no país. Flávio também nega ter recebido investimento ou financiamento da organização. A legislação brasileira proíbe financiamento eleitoral estrangeiro.
Portanto, o que pode ser documentado até agora é uma interlocução entre pessoas ligadas à Rockbridge e o entorno de Flávio, além da presença de grandes investidores de criptomoedas dentro da própria rede norte-americana — e não um apoio formal da indústria cripto à candidatura.
Coinbase e ABcripto levam agenda cripto para o segundo turno
Enquanto os candidatos evitam assumir posições específicas, duas das principais vozes do mercado já apresentaram suas demandas ao próximo governo.
A Coinbase publicou, em 30 de setembro, uma agenda diretamente relacionada às eleições brasileiras. A exchange pediu que o próximo presidente mantenha as stablecoins classificadas dentro do arcabouço dos ativos virtuais e se oponha à cobrança de IOF sobre essas transações.
A empresa também defendeu reforço de orçamento, pessoal e capacidade técnica para Banco Central, CVM e Receita Federal, além de investimentos em educação financeira sobre ativos digitais.
Apesar das propostas, a Coinbase não declarou apoio a Lula ou Flávio. Pelo contrário: a empresa afirmou explicitamente que está preparada para trabalhar com o governo e com o Congresso independentemente de quem vencer a eleição de outubro.
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A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) adotou caminho semelhante. Poucos dias antes da eleição, a entidade entregou às candidaturas à Presidência um manifesto com sete prioridades para o mercado de ativos virtuais. O documento também foi encaminhado a candidatos ao Senado e à Câmara.
Entre as propostas estão o fortalecimento dos órgãos de fiscalização, formação de servidores públicos em blockchain, educação financeira e Web3, reconhecimento jurídico de novas aplicações da tecnologia, criação de um marco específico para stablecoins e maior segurança tributária.
A ABcripto também defende que a tributação aconteça sobre a renda efetivamente realizada, evitando incidências em conversões intermediárias entre ativos digitais sem entrada de moeda fiduciária. Outro ponto do manifesto propõe estudar a viabilidade de uma reserva soberana de ativos digitais, sem determinar previamente quais criptomoedas poderiam integrá-la.
A presidente da entidade, Julia Rosin, já havia defendido que a criptoeconomia deveria ocupar mais espaço no debate eleitoral, argumentando que o tamanho alcançado pelo mercado exige discussões sobre regulação, segurança jurídica e inovação.



