- CEO da Ripple admite que estudou dissolver empresa após ação da SEC em 2020
- Plano previa distribuir XRP a acionistas pro rata e encerrar o processo
- CTO emérito diz que advogados consideravam a companhia insalvável na época
A Ripple chegou a considerar o encerramento das operações em vez de enfrentar a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. A revelação partiu do próprio CEO Brad Garlinghouse, em palestra na Universidade do Kansas, ao relembrar os dias seguintes ao processo aberto pela SEC em dezembro de 2020.
Na ocasião, a agência acusou a empresa de vender XRP como valor mobiliário não registrado e incluiu Garlinghouse e o cofundador Chris Larsen como réus pessoais. O executivo descreveu o cenário como assimétrico: um governo com “poder e recursos infinitos” contra uma empresa de tecnologia sem clareza regulatória.
Plano de dissolução envolvia distribuir XRP a acionistas

Assim, a saída pensada era simples do ponto de vista operacional. A Ripple mantém em tesouraria uma fatia relevante do supply de XRP, e os fundadores estudaram distribuir esses tokens de forma pro rata entre acionistas. Dissolver a companhia encerraria automaticamente o processo movido pela SEC.
“Quase decidimos fechar a empresa quando a SEC nos processou… centenas de pessoas perderiam seus empregos. Foi uma decisão difícil”, disse Garlinghouse. O executivo classificou o encerramento como o caminho mais fácil, embora “ruim”, já que representaria o desmonte de uma folha com centenas de funcionários.
O peso pessoal também influenciou a decisão. Garlinghouse contou que se reuniu quatro vezes com autoridades da SEC entre 2017 e 2019, sempre sem advogado. Ele afirma que nunca foi informado de que o XRP poderia ser tratado como security. Esse histórico moldou a percepção de que a Ripple operava sem regras claras. Portanto, esse argumento voltaria a aparecer no tribunal.
Schwartz diz que advogados consideravam Ripple insalvável
Assim, o CTO emérito David Schwartz confirmou que a ameaça era real. Segundo ele, o parecer jurídico interno era sombrio: os advogados descreviam a empresa como insalvável e pressionavam a liderança por um acordo rápido com a SEC. Schwartz também sugeriu que a inclusão pessoal de Garlinghouse e Larsen no processo foi uma manobra estratégica. O objetivo era quebrar a resistência da diretoria e forçar um settlement.
Além disso, Schwartz chegou a levantar uma tese controversa. Sem apresentar provas, sinalizou acreditar que projetos concorrentes de cripto teriam influenciado a atuação da agência — a chamada teoria do “ETHGate”. “Não tenho boas evidências para isso, mas sinto que é mais real do que falso”, afirmou.