Blockrise lança IBAN em euro com bunq e desafia modelo do Revolut

  • Blockrise lança contas IBAN em euro com bunq e estreia BaaS na Europa
  • CEO Jos Lazet ataca Revolut e defende neobanco com autocustódia em BTC
  • Plataforma usa multisig, opera sob MiCAR e mira empréstimos lastreados em Bitcoin

A holandesa Blockrise abriu uma nova frente na disputa entre fintechs e empresas nativas de cripto. Em apresentação no BTC Prague, o CEO Jos Lazet classificou neobancos como Revolut, N26 e Monzo como versões cosméticas do sistema bancário tradicional e anunciou um modelo que chamou de neobanco anarquista, com foco em blockrise e autocustódia de Bitcoin.

No mesmo dia, a empresa colocou a tese em prática. A Blockrise passou a oferecer contas IBAN em euro via parceria com o banco digital holandês bunq, tornando-se a primeira companhia da Europa a usar a plataforma de Banking-as-a-Service do bunq. O movimento foi formalizado em publicação no X da própria Blockrise.

Revolut mantém modelo custodial sob nova interface

O argumento central de Lazet é técnico, não estético. Para ele, neobancos trocaram o painel do carro, mas mantiveram o motor, reservas fracionárias, custódia institucional e trilhos de bancos correspondentes seguem idênticos aos das décadas passadas.

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Quando um usuário deposita reais, euros ou cripto em uma fintech como a Revolut, ele não detém o ativo. Detém um crédito contra a instituição. Se a conta for congelada, hackeada ou se a empresa quebrar como ocorreu com a alemã Nuri, antiga aliada do mercado cripto os recursos ficam presos no balanço de um terceiro.

Esse modelo custodial é o padrão de quase todos os aplicativos financeiros disponíveis hoje, incluindo as carteiras de exchanges centralizadas usadas por investidores brasileiros. A leitura de Lazet é direta, bancos cripto construídos sobre os mesmos trilhos do sistema legado não são, na prática, bancos cripto. São bancos tradicionais com um ticker de Bitcoin colado na tela.

Multisig e licença MiCAR sustentam autocustódia

O rótulo “anarquista” tem alvo na propriedade dos ativos, não na regulação. A Blockrise opera sob o arcabouço europeu MiCAR e está registrada no banco central holandês como gestora de ativos. A estrutura proposta combina carteiras on-chain segregadas com esquema multisig, o cliente mantém uma chave, a empresa retém outra para fins operacionais.

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O modelo de receita também muda. Em vez de lucrar com o float dos depósitos, a Blockrise cobra por acesso e execução. As taxas de custódia e gestão chegam a 1% cada, somadas a uma performance fee de 15% sobre estratégias administradas. A plataforma suporta hoje Bitcoin e Ethereum e permite saque integral a qualquer momento, alinhando-se ao mantra “not your keys, not your coins“.

Empréstimos lastreados em BTC estão no centro da próxima fase. A empresa fechou parceria com a credora Arkade para criar produtos em que o usuário toma crédito sem vender suas moedas uma alternativa relevante em momentos de volatilidade, como o atual, com o Bitcoin em US$ 63.965 (cerca de R$ 326,6 mil) e o Ethereum em torno de US$ 1.675.

Bunq garante até 100 mil euros por usuário

A parceria com o bunq resolve a parte mais cara da equação, licenciamento bancário. Ao plugar a infraestrutura licenciada do bunq, a Blockrise oferece IBAN europeu com proteção de depósitos de até 100 mil euros pelo Esquema de Garantia Holandês o equivalente, em moeda brasileira, a cerca de R$ 590 mil pela cotação atual do euro a R$ 5,9076.

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Na prática, o cliente recebe salário em euro, paga contas e administra Bitcoin numa única conta. O contraste com o cenário brasileiro é direto. Por aqui, fintechs como Mercado Pago, Nubank e PicPay oferecem cripto integrada todas em modelo custodial, com o ativo dentro do balanço da empresa, sem chave privada para o usuário.

A discussão também tangencia o debate regulatório local. Enquanto o Banco Central avança com o Drex e seus limites legais, plataformas europeias testam o caminho oposto, integrar trilhos bancários sem tomar posse dos ativos do cliente. O modelo da Blockrise se aproxima de soluções institucionais como o Lightning Earn da BitGo, que também aposta em separar serviço de custódia.

A precificação caminha para um formato de assinatura, semelhante aos planos escalonados da Revolut. O recado é claro, o público-alvo não é o maximalista de Bitcoin, mas o usuário comum que quer simplicidade sem abrir mão do controle das próprias chaves.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.