- MetaMask lança Agent Wallet para agentes de IA operarem em DeFi de forma autônoma
- Carteira exige autenticação dupla em transações suspeitas e tem limites de gasto definidos pelo usuário
- Early Access tem 200 usuários e expansão prevista para o verão do Hemisfério Norte
A MetaMask entrou na corrida por infraestrutura cripto para inteligência artificial. A carteira da Consensys lançou o Agent Wallet, produto self-custodial pensado para que agentes de IA executem transações on-chain dentro de regras definidas pelo dono dos fundos. O acesso inicial está liberado para cerca de 200 usuários, e a expansão é prevista para os próximos meses.
O produto chega em meio à explosão de agentes autônomos capazes de gerenciar portfólios, executar trades e interagir com aplicações descentralizadas. A diferença é o desenho de segurança, em vez de entregar a chave privada para o modelo, a MetaMask roteia tudo pela mesma infraestrutura que já protege a carteira convencional.
O problema das chaves privadas em mãos da IA
Zhen Yu Tong, diretor sênior de produto da MetaMask, foi direto ao apontar o que considera o erro recorrente do setor. Segundo ele, a maioria dos projetos atuais entrega a chave privada diretamente ao agente. Isso abre espaço para transações indevidas, perdas por erro do modelo e exposição a manipulação externa.
“Se a primeira geração de agentes de trading normalizar a entrega das suas chaves, vamos reconstruir os erros de custódia que o cripto passou uma década tentando escapar”, afirmou o executivo.
A crítica é dura porque toca no princípio que sustenta a auto-custódia, pilar histórico do Ethereum e do ecossistema DeFi sobre a rede.
A solução adotada usa a tecnologia de trusted execution environment da Cubist. As chaves ficam isoladas em um enclave de hardware durante a assinatura, o que impede até mesmo MetaMask e Consensys de acessarem o material criptográfico. O ataque mais temido pelo time, segundo Tong, é o prompt injection, em que instruções maliciosas enganam o modelo.
“Não dá para garantir que um LLM não será enganado. Isso é problema aberto de pesquisa, não um bug que se conserta uma vez”, declarou.
Dois modos de operação e 2FA obrigatório
A Agent Wallet opera em dois modos. No Guard Mode, padrão de fábrica, o usuário define limites de gasto, protocolos aprovados e parâmetros operacionais. Qualquer transação fora dessas regras dispara autenticação de dois fatores. O modelo lembra a lógica bancária de allowlist, o agente só envia recursos para endereços previamente liberados.
Já o Beast Mode permite operação mais autônoma, com endereços escaneados em tempo real em vez de pré-aprovados. Mesmo assim, qualquer transação sinalizada como maliciosa pela detecção de ameaças aciona 2FA.
“Isso não é negociável”, disse Tong.
A carteira também integra simulação de transação, detecção de contratos maliciosos via Blockaid, Clear Signing e proteção MEV via Servo.
Corrida com Coinbase e MoonPay pela infra de IA
A MetaMask não está sozinha. Em fevereiro, a Coinbase apresentou as Agentic Wallets, com proposta parecida de isolamento de chaves em enclaves seguros. A MoonPay, por sua vez, integrou hardware wallets da Ledger ao fluxo de transações aprovadas por humanos e lançou o Open Wallet Standard, framework open source com apoio de PayPal, Ethereum Foundation, Solana Foundation, Ripple e Base. Detalhes técnicos do produto foram divulgados em comunicado oficial da empresa.
A Agent Wallet suporta redes compatíveis com EVM, a Hyperliquid e os principais frameworks de agentes, OpenAI Codex, Claude Code da Anthropic, Cursor, OpenClaw e Hermes Agent. A cobertura é ampla o suficiente para alcançar a maior parte dos projetos sérios em desenvolvimento hoje.
Para o investidor brasileiro, a leitura é dupla. De um lado, agentes de IA com auto-custódia reforçada podem destravar estratégias automatizadas em DeFi sem depender de bots centralizados algo relevante num mercado onde a CVM ainda discute regras para gestão automatizada. De outro, a tendência conversa com o movimento de bancos como JPMorgan e Citi, que criam redes tokenizadas próprias para competir com stablecoins. O ETH, negociado a US$ 1.687, sobe 4% em 24 horas enquanto a infraestrutura de IA on-chain ganha novos atores institucionais.