- Aave congela 292 reservas após carteira ligada ao invasor tomar empréstimos
- Posição mantém US$ 59,9 milhões em garantias para US$ 43,8 milhões de dívida
- Binance promete ressarcimento integral e mantém prazo de 45 horas para retomar saques
O ataque à binance alcançou os mercados de crédito descentralizado após uma carteira ligada ao invasor tomar 19.762 WETH emprestados na Aave. O protocolo bloqueou novos depósitos e empréstimos em 292 reservas, com operações de emergência que abrangeram 16 redes.
A medida ocorreu depois que o endereço depositou US$ 60 milhões em USDT no mercado V3 Ethereum Core. O empréstimo equivalia a aproximadamente US$ 44,6 milhões no momento da operação.
Apesar da origem dos recursos, a posição apresentava garantias superiores à dívida. Os números divulgados posteriormente indicavam US$ 59,9 milhões em colateral para US$ 43,8 milhões de obrigações.
Garantias superam dívida em US$ 16,1 milhões
A diferença entre garantia e dívida somava US$ 16,1 milhões. Pelos valores informados, o empréstimo correspondia a cerca de 73,1% do colateral, proporção que não equivale ao limite de liquidação.
Esse limite depende dos parâmetros de risco do ativo oferecido. Na documentação da Aave, a liquidação considera o valor das garantias, seus limites específicos e o tamanho da dívida.
Há também um descasamento entre os ativos: a garantia está em stablecoin, enquanto a dívida foi contraída em WETH. Uma valorização do ether aumenta o valor da obrigação em dólares, pressionando a margem da posição mesmo sem queda do USDT.
O congelamento buscou impedir que outros recursos roubados entrassem nos mercados. A existência de garantias suficientes afastava, naquele momento, um déficit direto nessa posição, mas não eliminava riscos posteriores.
Aave bloqueia 175 reservas na V3 e 117 na V4
Carteiras de guardiões com múltiplas assinaturas executaram as restrições na quinta-feira, 29 de outubro. Foram 175 reservas da V3, em 16 redes, e outras 117 da V4, distribuídas por quatro redes.
As duas contagens não representam 20 blockchains distintas. Uma reserva corresponde ao mercado de determinado ativo dentro de uma implantação do protocolo, e diferentes versões podem operar na mesma rede.
Entre as redes atingidas estavam Ethereum, Arbitrum, Avalanche, Base, Optimism, Polygon e BNB Chain. O mercado permissionado Horizon, voltado a ativos do mundo real, permaneceu operacional.
Usuários continuaram autorizados a pagar dívidas e retirar garantias, respeitadas as condições das posições. A equipe evitou uma pausa integral dos contratos, preservando essas operações durante a contenção.
Aave Labs, Tokenlogic e Certora participaram da resposta emergencial. Os guardiões adotaram o bloqueio amplo sem esperar uma votação comunitária de cinco dias para reduzir os limites de depósitos.
Invasor retira 195.470 ETH de duas carteiras
As primeiras transferências descritas no incidente somaram 195.470 ETH: 167.464 ETH saíram de uma carteira da Binance, seguidos por outros 28.006 ETH. A primeira transação também movimentou 63 outros tokens.
O ataque alcançou outras blockchains. Na Avalanche, o invasor recebeu 444.537 AVAX, enquanto a sequência de entradas indicava atividade da vulnerabilidade por mais de duas horas.
Depois, os recursos passaram por mais de 20 endereços. O responsável vendeu tokens por ether em corretoras descentralizadas, ampliando o rastreio dos recursos e as tentativas de bloqueio.
A Binance informou ter identificado pontos adicionais de comprometimento, além da hipótese inicial envolvendo um laptop. A empresa ainda não apresentou uma explicação definitiva para o acesso às carteiras.
Binance anuncia US$ 3 bilhões bloqueados e promete ressarcimento
Segundo a corretora, a cooperação com parceiros permitiu congelar aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos afetados. Bloqueio, porém, não equivale necessariamente à recuperação ou devolução desses valores.
A empresa afirmou que as saídas não autorizadas cessaram após a suspensão dos saques. Manteve o prazo anunciado de 45 horas para restabelecer o serviço e prometeu cobrir perdas com o SAFU e recursos próprios.
A Aave condicionou a avaliação de uma reabertura gradual a novas informações sobre a contenção na Binance e à estabilização das carteiras do invasor. As equipes mantiveram o monitoramento dos endereços e dos preços fornecidos pela Chainlink.



