- Carteira ligada ao invasor tomou US$ 44,6 milhões emprestados com stablecoins roubadas
- Aave congelou 292 reservas, mas manteve pagamentos, saques disponíveis e liquidações
- Musk projetou operações autônomas semelhantes, sem atribuir o ataque à inteligência artificial
Uma carteira associada ao ataque à binance depositou 60 milhões de USDT na Aave e tomou aproximadamente US$ 44,6 milhões emprestados. A operação antecedeu restrições emergenciais do protocolo e motivou um comentário de Elon Musk sobre agentes autônomos de inteligência artificial.
O empréstimo converteu o acesso a stablecoins roubadas em disponibilidade de outro ativo, sem exigir sua venda direta. Segundo a avaliação da LlamaRisk, o invasor recebeu 19.762 unidades de wrapped Ether, versão tokenizada do Ether.
Ao comentar o episódio no X, em 29 de outubro, Musk afirmou que sistemas superinteligentes realizarão operações semelhantes para obter recursos próprios. Ele não apresentou evidências de participação de IA no ataque.
Carteira depositou 60 milhões de USDT antes dos bloqueios
Entre 20h58 e 21h01 UTC de 29 de outubro, a carteira transferiu as garantias para a Aave V3 na rede Ethereum. A primeira restrição emergencial entrou em vigor às 21h42 UTC, cerca de 40 minutos depois.
Na avaliação publicada em 30 de outubro, a LlamaRisk registrou aproximadamente US$ 59,9 milhões em garantias e US$ 43,8 milhões em dívida. A entidade classificou a posição como sobrecolateralizada, sem risco imediato para os fornecedores de recursos.
A dívida correspondia a aproximadamente 73,1% do valor das garantias, pelos números daquele levantamento. Essa proporção, isoladamente, não determina a segurança do empréstimo: a liquidação depende dos parâmetros do protocolo e dos preços relativos.
Há uma diferença operacional entre congelar tokens e recuperar recursos emprestados. Se o emissor bloquear a garantia, sua utilização numa liquidação depende das restrições aplicadas. A sobrecolateralização, sozinha, não elimina esse risco operacional.
O invasor utilizou funções regulares de empréstimo. A LlamaRisk não identificou exploração dos contratos de crédito da Aave nessa operação. O acesso inicial aos recursos ocorreu no ataque à Binance.
Aave congela 292 reservas em 20 redes
Das 21h42 às 23h04 UTC, as equipes congelaram 175 reservas em 16 redes da Aave V3. Outras 117 reservas receberam restrições em quatro redes da V4.
A intervenção impediu novos depósitos e empréstimos. Permaneceram disponíveis o pagamento de dívidas, os saques de ativos com liquidez e as liquidações. O protocolo não sofreu uma paralisação integral.
As equipes de risco coordenaram a resposta com Aave Labs, TokenLogic e Certora. A documentação da Aave descreve o funcionamento dos mercados de crédito e das garantias usados pela plataforma.
Mais de 20 carteiras receberam recursos, com movimentações em Ethereum, Arbitrum, Optimism e Avalanche. Segundo a LlamaRisk, o invasor também converteu tokens em ETH durante a dispersão dos valores.
A retomada das operações dependeria da interrupção dessas movimentações e de maior clareza sobre a contenção conduzida pela Binance. As equipes planejavam liberar os mercados em etapas.
Binance relata US$ 3 bilhões congelados por parceiros
A Binance estimou em US$ 6,3 bilhões os ativos afetados e informou que parceiros congelaram cerca de US$ 3 bilhões. O levantamento era preliminar.
Segundo a exchange, o comprometimento do laptop de um engenheiro de DevOps teria permitido acesso a um contêiner de serviço e saques não autorizados. A investigação não encontrou evidências de vazamento das chaves privadas.
Paolo Ardoino, presidente da Tether, relatou o bloqueio de mais de US$ 1,57 bilhão em USDT. Jeremy Allaire, da Circle, informou restrições sobre mais de US$ 800 milhões em USDC.
Esse poder de intervenção distingue stablecoins centralizadas do ETH nativo, que não possui emissor com autoridade equivalente para congelar endereços. Foi essa diferença que sustentou a discussão comentada por Musk.
A Binance suspendeu temporariamente depósitos e saques e revogou a autorização do endereço afetado. A empresa anunciou cobertura das perdas com o Secure Asset Fund for Users e recursos próprios, além de nova prova de reservas após as verificações.



