- Receita diária por capacidade computacional cai de US$ 40 para cerca de US$ 33
- Dificuldade sobe 5,54% e alcança 148,36 trilhões no ajuste de 29 de outubro
- Máquinas de 25 J/TH apresentam déficit com eletricidade a US$ 0,06 por quilowatt-hora
A mineração de bitcoin registra receita diária próxima de US$ 33 por petahash por segundo, menor nível desde agosto. O valor está 17,5% abaixo da média de US$ 40 observada em setembro, conforme dados da Startmining.
Esse indicador, chamado hashprice, mede a receita esperada por unidade de capacidade computacional. A queda ocorre enquanto operadores ampliam o processamento da rede, disputando recompensas que não crescem automaticamente com a entrada de máquinas.
Em 29 de outubro, a dificuldade de mineração avançou 5,54%, para 148,36 trilhões, segundo a Nodewitness. O ajuste anterior, em 16 de outubro, havia elevado o indicador em 5,92%.
Somados, os dois reajustes reduzem em aproximadamente 10,5% a quantidade esperada de BTC recebida por uma capacidade computacional constante. O cálculo pressupõe estabilidade nas demais condições, incluindo as taxas das transações.
Máquinas de 25 J/TH operam com déficit energético
Uma simulação com hashprice de US$ 33,35 mostra a pressão sobre equipamentos menos eficientes. Após uma taxa de pool de 2%, sobra receita diária de aproximadamente US$ 32,68 por PH/s.
Para máquinas com consumo de 25 joules por terahash, a eletricidade custa US$ 36 por dia nessa escala. A conta considera tarifa de US$ 0,06 por quilowatt-hora e produz déficit de US$ 3,32.
Manutenção, hospedagem e financiamento ainda ficam fora desse resultado. Nessas condições, a tarifa precisa cair para aproximadamente US$ 0,0545 por quilowatt-hora apenas para pagar a energia dos equipamentos.
Já máquinas de 20 J/TH gastam US$ 28,80 diariamente com eletricidade, sob as mesmas premissas. Restam US$ 3,88 antes das outras despesas, margem que não equivale a lucro líquido.
A diferença de eficiência reduz a conta energética em US$ 7,20 diários por PH/s, ou 20%. Em 30 dias, são US$ 216 de economia, mantendo operação contínua e tarifa constante.
Esse cálculo não incorpora o preço de aquisição das máquinas mais eficientes. A substituição exige capital, e a economia operacional precisa compensar esse desembolso durante a vida útil do equipamento.
Rede recupera 185 EH/s em 102 dias
Desde 17 de julho, o poder computacional da rede cresceu 21% em 102 dias, segundo Jamie Coutts, analista-chefe de criptoativos da Real Vision. O acréscimo chegou a aproximadamente 185 exahashes por segundo.
Com a recuperação, o hashrate ficou a 6% do recorde anterior. Dados da Look Into Bitcoin também indicam o maior nível de processamento em sete meses.
Entre o pico de outubro de 2025 e fevereiro de 2026, a média de 14 dias havia recuado 23%. Coutts classificou a contração como a mais intensa desde a proibição chinesa de mineração, em 2021.
O inverno rigoroso interrompeu operações temporariamente durante aquele período. Empresas listadas também passaram a direcionar investimentos para infraestrutura de inteligência artificial e computação de alto desempenho.
Contratos de longo prazo nesses negócios oferecem receitas mais previsíveis que a mineração. O avanço agregado do hashrate, porém, não identifica quais operadores adicionaram máquinas nem demonstra reversão dos planos dessas empresas.
Protocolo reajusta disputa a cada 2.016 blocos
O bitcoin recalibra a dificuldade a cada 2.016 blocos, buscando preservar o intervalo médio de dez minutos. A regra consta da documentação do protocolo.
Quando novas máquinas aceleram a descoberta dos blocos, o ajuste aumenta o trabalho necessário para encontrar o seguinte. Acrescentar processamento não amplia proporcionalmente a emissão programada de moedas.
Também existe uma diferença entre receita em BTC e receita em dólares. A dificuldade altera a quantidade esperada de moedas por capacidade; a cotação influencia sua conversão monetária.
Às 9h18 de Brasília desta sexta-feira, o preço do bitcoin estava em US$ 77.454, com queda de 3,3% em 24 horas.
Isoladamente, o ajuste de 29 de outubro reduz o rendimento esperado em BTC por capacidade em aproximadamente 5,24%. Esse percentual corresponde ao inverso da alta da dificuldade, mantendo constantes os demais fatores.



