- Vitalik Buterin aponta 3 problemas estruturais em stablecoins descentralizadas.
- Mercado de stablecoins em dólar já soma US$ 291 bilhões, dominado por emissores centralizados.
- Buterin alerta para riscos do dólar em horizontes de 20 anos.
Vitalik Buterin afirmou que as stablecoins descentralizadas ainda enfrentam desafios críticos.
Segundo ele, falhas estruturais impedem sustentabilidade de longo prazo e verdadeira descentralização.
Três obstáculos centrais para stablecoins descentralizadas
O cofundador do Ethereum detalhou três pontos que seguem sem solução prática, além disso, ele defendeu mudanças conceituais profundas no setor. O primeiro problema envolve o índice de referência.
Para Buterin, o dólar funciona no curto prazo, entretanto, não garante resiliência no longo prazo.
“Em um horizonte de 20 anos, e se o dólar se desvalorizar, mesmo que moderadamente?”, questionou.
Por isso, ele defende stablecoins independentes do dólar. Segundo Buterin, essa mudança fortalece a soberania financeira dos protocolos.
O segundo desafio está nos oráculos de preço, eles precisam ser descentralizados e resistentes à captura financeira, caso contrário, o custo para manipulá-los força extração excessiva de valor dos usuários.
“Isso é um grande motivo para eu criticar a governança financeira, porque ela exige alta extração para se manter estável”, escreveu Buterin.
Concorrência direta com o rendimento de staking
O terceiro ponto envolve o staking, stablecoins descentralizadas competem diretamente com rendimentos oferecidos por staking.
Historicamente, soluções tentaram atrair usuários com juros altos, o caso da TerraUSD é o exemplo mais conhecido. O protocolo oferecia quase 20% ao ano, mas colapsou em 2022, gerando perdas de US$ 40 bilhões.
Buterin citou possíveis caminhos, entre eles, reduzir o rendimento do staking para cerca de 0,2%, entretanto, ele ressaltou que essas ideias não são recomendações, apenas exploração de alternativas.
Mercado cresce, mas centralização avança
Apesar das críticas, o mercado de stablecoins segue em expansão, atualmente, supera US$ 291 bilhões em valor total.
A Tether domina com cerca de 56% de participação, a Circle vem logo atrás, já soluções descentralizadas seguem marginais. DAI, USDS e USDe possuem entre 3% e 4% cada.
Projetos alternativos existem, o RAI, por exemplo, não é atrelado a moedas fiduciárias, ainda assim, enfrenta baixa adoção e limitações econômicas.
Enquanto isso, a regulação avança para emissores centralizados. Nos EUA, o GENIUS Act, aprovado em 2025, criou regras claras para stablecoins de pagamento.
Empresas de capital de risco, como a a16z crypto, defendem que stablecoins descentralizadas fiquem fora desse escopo regulatório.
No fim, Buterin reforça sua visão histórica, para ele, o futuro do Ethereum depende de aplicações realmente descentralizadas, mesmo que isso signifique nadar contra a maré do mercado.

