- Volume de transferência de RWAs na Solana atinge US$ 8,68 bilhões em 30 dias
- BUIDL da BlackRock soma US$ 615 milhões e lidera ativos tokenizados na rede
- Ethereum ainda concentra 57,8% do AUM global em fundos tokenizados
A rede Solana mais que dobrou o volume mensal de transferências de ativos do mundo real (RWAs), sinalizando que a tokenização começa a sair do papel e circular de fato entre carteiras, mesas de negociação e protocolos. O movimento coloca a blockchain como principal desafiante do Ethereum em um segmento que ganha tração institucional.
Segundo dados da RWA.xyz, o volume de transferência de RWAs em 30 dias na Solana chegou a US$ 8,68 bilhões em 6 de julho, alta de 105,76% ante o período anterior. O valor total distribuído em ativos tokenizados subiu 36,27% no mesmo intervalo, atingindo US$ 3,48 bilhões. O número de detentores avançou 7,83%, para 293.558 endereços, distribuídos em 2.119 ativos rastreados.
Dados divulgados pela própria Solana confirmam a virada. O volume à vista de ativos tokenizados em exchanges descentralizadas pulou de US$ 2,69 bilhões no primeiro trimestre para US$ 5,7 bilhões no segundo. Um ano antes, o número beirava zero. O token nativo SOL é negociado a US$ 80,00 (R$ 416,81), com queda de 2,3% nas últimas 24 horas.
xStocks trazem Tesla e Nvidia para a rede
Boa parte do salto vem do lançamento, em meados de 2025, das ações tokenizadas xStocks na Solana. Emitidos pela Backed, os produtos permitem exposição a papéis individuais de empresas como Tesla e Nvidia dois dos nomes mais negociados pelo varejo global. É um público diferente do que costuma consumir fundos de Treasuries tokenizados.
Papéis atrelados a tecnologia volátil tendem a girar mais do que produtos de renda fixa. Isso explica por que o crescimento apareceu tanto no valor distribuído quanto no volume de transferências, algo raro em cadeias dominadas por instrumentos institucionais que ficam parados após a emissão. Taxas baixas de rede ajudam, traders conseguem entrar e sair de posições pequenas sem que o custo por transação corroa o retorno.
BUIDL da BlackRock lidera ativos institucionais
Do lado institucional, o fundo BUIDL da BlackRock mantém US$ 615 milhões em ativos na Solana, a maior posição individual de RWA rastreada na rede. O USDY, da Ondo, adiciona outros US$ 181 milhões. Produtos ligados à Securitize somam quase US$ 300 milhões em ativos sob gestão, incluindo estruturas reguladas de fundos e crédito privado.
Esses veículos operam quase sempre em modo permissionado, com regras de KYC para emissão e resgate. Isso dá lastro jurídico e atrai capital institucional, mas limita a circulação livre dos tokens o que explica por que o sinal de transferências ainda é desigual entre categorias. A tese da expansão de fundos tokenizados se repete em outras redes, com o JPMorgan crescendo 250% em produto similar no Ethereum.
Ethereum mantém 57,8% do mercado global
Apesar do avanço, a Solana ainda está longe de destronar o Ethereum. De acordo com a Token Terminal, a rede de Vitalik controla 57,8% do AUM global em fundos tokenizados, hoje em máxima histórica de US$ 35,6 bilhões. Gestores como BlackRock e JPMorgan construíram primeiro no Ethereum, o que garante vantagem de integração e familiaridade institucional. O ETH é cotado a US$ 1.776,13 (R$ 9.141,90).
A aposta da Solana é outra: velocidade em vez de escala. A rede se posiciona como trilho para ativos que precisam se mover colateral em protocolos de empréstimo, liquidação entre carteiras, gestão de liquidez. O market cap de stablecoins na Solana chegou a US$ 16,02 bilhões, com giro mensal de US$ 541,34 bilhões, base de caixa que sustenta a movimentação dos RWAs.
Brasil observa tokenização com CVM e Drex no radar
Para o investidor brasileiro, a leitura passa pelo movimento regulatório local. A CVM já autorizou ofertas públicas de tokens de recebíveis via sandbox regulatório, e o piloto do Drex, do Banco Central, prevê tokenização de títulos públicos como caso de uso central. Corretoras nacionais como Mercado Bitcoin e Hashdex já oferecem produtos ligados a Treasuries tokenizados de emissores globais, muitos deles operando na Solana ou no Ethereum. A entrada da Tether no Mercado Bitcoin reforça o interesse por infraestrutura de ativos digitais no país.
O próximo teste da Solana no segmento é distribuir o volume entre mais produtos, evitando concentração em poucos fundos grandes. Enquanto o Ethereum acumula profundidade, a rede fundada por Anatoly Yakovenko aposta que tokens que precisam girar rápido ações, colateral, stablecoins encontrem no baixo custo de transação um argumento decisivo.