Trezor integra rendimento em USDC e USDT via Morpho na Suite

  • Trezor Suite v26.5.2 libera rendimento nativo em USDC e USDT
  • Vaults Morpho curados pela Steakhouse não exigem prazo de bloqueio
  • Mais de 2 milhões de usuários podem acessar DeFi sem carteira externa

A fabricante de hardware wallets Trezor, sediada em Praga, ativou nesta quinta-feira (28) um recurso de rendimento nativo em stablecoins dentro do próprio software de gestão. A atualização chega na versão 26.5.2 do Trezor Suite e mira diretamente os mais de 2 milhões de usuários do dispositivo no mundo, abrindo acesso à DeFi sem a necessidade de conectar carteiras de terceiros.

A funcionalidade é alimentada pelo Morpho, protocolo de empréstimos descentralizado que opera na rede Ethereum desde 2022. No lançamento, duas opções estão disponíveis: o USDC Prime e o USDT Prime, ambos curados pela Steakhouse, firma independente especializada em estratégias de rendimento on-chain. A escolha dos vaults não é feita pelo usuário — a Trezor pré-selecionou as opções com base em critérios de segurança e liquidez.

Como funciona a assinatura no dispositivo

Cada depósito, saque ou resgate de recompensa precisa ser assinado fisicamente no aparelho. As chaves privadas nunca deixam o hardware. A empresa destaca que o recurso de clear-signing está ativo em todas as interações on-chain, traduzindo dados do contrato para linguagem comum na tela antes da confirmação. O suporte vale para todos os modelos atuais, com exceção do antigo Trezor Model One.

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Tomas Susanka, CTO da Trezor, descreveu a integração como uma resposta a um dilema antigo do setor. Segundo ele, usuários precisavam escolher entre a segurança da carteira física e o acesso a rendimento em DeFi, já que qualquer estratégia exigia conexão com aplicações externas. Agora, o fluxo inteiro acontece dentro do Suite — sem extensões de navegador, sem MetaMask, sem WalletConnect.

Taxas variáveis e sem prazo de bloqueio

O rendimento vem da atividade real de tomadores no protocolo Morpho, e não de programas de incentivo com tokens. Quando a demanda por crédito sobe, as taxas sobem. Quando cai, as taxas recuam. Não há APY promocional artificial, tampouco prazos mínimos de bloqueio. O saque pode ser iniciado a qualquer momento dentro do Suite e liquida diretamente on-chain.

Outro detalhe relevante para usuários mais técnicos: os depósitos geram tokens ERC-20 padrão dos vaults. Isso significa que o resgate pode ser feito por qualquer interface compatível, independentemente do software da Trezor — uma característica importante para quem prioriza independência da fabricante em cenários de descontinuidade.

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Paul Frambot, CEO e cofundador do Morpho, classificou o movimento como um teste de escala para a DeFi. “É assim que a DeFi escala: tornando-se invisível para os usuários, acessível dentro das interfaces que eles já usam”, afirmou. Em termos de público potencial, o número rivaliza com bases de exchanges centralizadas de médio porte.

Contexto brasileiro e concorrência

Para o investidor brasileiro, o anúncio chega em um momento em que a busca por rendimento em stablecoins lastreadas em dólar ganha tração como hedge contra a volatilidade do real. Com o USD/BRL cotado a R$ 5,05, manter saldos em USDC ou USDT em ambiente self-custody passou a competir diretamente com produtos de renda fixa atrelados ao câmbio oferecidos por corretoras locais — sem risco de contraparte bancária.

A jogada da Trezor também responde a movimentos de exchanges centralizadas que tentam recuperar fluxo via DeFi embutida. Recentemente, a Kraken lançou um cofre para rendimento em BTC via DeFi, num esforço similar de eliminar atrito. A diferença é que, no caso da hardware wallet tcheca, o ativo permanece sob custódia do próprio usuário durante todo o ciclo.

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O Morpho já é um dos protagonistas do setor de empréstimos on-chain, em segmento que tem como rival a Aave, cujo porte hoje rivaliza com bancos médios. A integração com hardware wallets pode acelerar a entrada de capital conservador — investidores que evitavam DeFi pelo risco operacional de assinar transações em carteiras quentes.

O recurso já está disponível no Trezor Suite para desktop a partir da versão 26.5.2. Quem utiliza firmware exclusivo para Bitcoin não verá a opção. O suporte completo no aplicativo móvel está previsto para o segundo semestre de 2026, segundo cronograma divulgado pela empresa em comunicado oficial.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.