- Endereços ilícitos movimentaram US$ 154 bilhões em 2025, alta anual de 162%.
- Stablecoins responderam por 84% do volume ilegal; o Bitcoin caiu para 7%.
- Fluxos para entidades sancionadas cresceram 694%, impulsionados por ações de Estados-nação.
O crime com criptomoedas alcançou um novo recorde em 2025.
Segundo a Chainalysis, endereços ilícitos receberam ao menos US$ 154 bilhões, impulsionados por sanções, hackers estatais e uso crescente de stablecoins.
A nova fase do crime cripto: Estados-nação entram em cena
De acordo com a Chainalysis, 2025 marca a terceira onda do crime cripto, antes disso, o cenário era dominado por hackers isolados e grupos organizados.
Agora, porém, Estados-nação passaram a usar criptomoedas para driblar sanções e financiar operações estratégicas.
Além disso, o relatório aponta um salto de 694% nos fluxos destinados a entidades sancionadas, por isso, o risco deixou de ser apenas financeiro e assumiu caráter claramente geopolítico.

“Os Estados-nação passaram a explorar cadeias ilícitas criadas por criminosos, elevando os riscos para a segurança nacional”, afirmou a Chainalysis no relatório.
Nesse contexto, a Rússia lançou a stablecoin A7A5, lastreada no rublo, em fevereiro de 2025, em menos de um ano, o token movimentou US$ 93,3 bilhões, segundo a análise.
A iniciativa, portanto, seguiu mudanças legais aprovadas em 2024 voltadas à evasão de sanções internacionais.
Além disso, hackers da Coreia do Norte roubaram US$ 2 bilhões ao longo do ano, desse total, o ataque à Bybit, em fevereiro, respondeu por US$ 1,5 bilhão, o maior roubo da história do setor.
Stablecoins se tornam o principal meio de transações ilícitas
Outro ponto central do relatório envolve a mudança no tipo de ativo utilizado. Em 2020, o Bitcoin representava cerca de 70% das transações ilegais.
As stablecoins, por outro lado, somavam apenas 15% naquele período.
Entretanto, em 2025, o cenário se inverteu completamente, as stablecoins passaram a concentrar 84% do volume ilícito global. Enquanto isso, o Bitcoin recuou para aproximadamente 7%.

Segundo a Chainalysis, essa preferência ocorre por razões práticas. As stablecoins oferecem menor volatilidade e liquidez internacional imediata.
Além disso, esse comportamento acompanha a expansão do uso legítimo desses ativos no mercado global.
Redes chinesas e violência física entram no radar
O relatório destaca a ascensão das Redes Chinesas de Lavagem de Dinheiro, que oferecem “lavagem como serviço” em escala global.
Esses grupos atendem fraudes, golpes, evasão de sanções e hackers norte-coreanos. Além disso, crimes violentos ligados a criptomoedas cresceram, incluindo coerção física, geralmente em períodos de alta nos preços.
Apesar do recorde, o crime representa menos de 1% do volume total, ainda assim, o valor tende a aumentar com novas identificações. O avanço das stablecoins no crime aumenta a pressão por cooperação regulatória, e o desafio será equilibrar inovação, segurança e soberania financeira.

