- Programa de cartões com stablecoins chega a 18 países e mira mais de 100 até o fim do ano.
- Liquidação passa a ocorrer onchain, com apoio do Lead Bank.
- Movimento intensifica disputa com Mastercard no mercado de pagamentos cripto.
A gigante global de pagamentos Visa ampliou seu programa de cartões com stablecoins em parceria com a Bridge, controlada pela Stripe.
A iniciativa já opera em 18 países e deve ultrapassar 100 mercados até o fim do ano, além de testar liquidação direta em stablecoins nos Estados Unidos.
Expansão global e liquidação direta em stablecoins
O programa foi lançado em abril de 2025, inicialmente focado na América Latina. Na época, contemplava Argentina, Colômbia, Equador, México, Peru e Chile. Agora, entretanto, a estratégia ganha escala global.
Antes, a Bridge processava os pagamentos convertendo stablecoins em moeda fiduciária, o comerciante recebia na moeda local, como em qualquer cartão tradicional.
Agora, porém, as transações podem ser liquidadas diretamente em blockchain. Essa mudança ocorre por meio de parceria com o Lead Bank, banco comercial independente dos Estados Unidos.
Segundo Cuy Sheffield, chefe de cripto da Visa, a meta é integrar ativos digitais ao sistema tradicional.
“A Visa está comprometida em atender as empresas onde elas operam, e cada vez mais isso significa operar onchain”, afirmou.
Ele acrescentou que a expansão leva “velocidade, transparência e programabilidade das stablecoins diretamente para o processo de liquidação”.
Além disso, a Bridge recebeu aprovação condicional de um regulador dos EUA para atuar como banco fiduciário nacional em fevereiro. Portanto, a empresa fortalece sua posição institucional.
Stablecoins personalizadas entram no jogo
Outro ponto relevante envolve a criação de stablecoins próprias por empresas. Diferentemente de tokens como Tether (USDT) ou Circle (USDC), as stablecoins emitidas via infraestrutura da Bridge podem ser programadas por empresas, sem depender de um emissor tradicional.
Zach Abrams, cofundador e CEO da Bridge, destacou o impacto.
“Essa expansão permitirá que empresas lancem suas próprias stablecoins personalizadas e as utilizem de forma integrada em seus programas de cartão”, afirmou.
Disputa com Mastercard acelera corrida das stablecoins
O movimento ocorre em meio à crescente competição no setor. Nesse cenário, a Mastercard passou a permitir gastos com stablecoins nos Estados Unidos por meio da carteira autônoma MetaMask.
Assim, o mercado de pagamentos digitais entra em uma nova fase, ao mesmo tempo, grandes bandeiras disputam espaço na integração entre blockchain e infraestrutura financeira tradicional.
Além disso, a liquidação onchain pode reduzir custos operacionais e acelerar prazos. Consequentemente, aumenta a transparência das transações e fortalece a confiança de empresas globais.
Por outro lado, o avanço depende de maior clareza regulatória. Atualmente, autoridades discutem regras específicas para stablecoins em diversas jurisdições. Dessa forma, o ritmo de expansão pode variar conforme cada país.
Ainda assim, a estratégia da Visa e da Stripe indica uma mudança estrutural, em outras palavras, os pagamentos com ativos digitais deixaram de ser experimento.
Agora, fazem parte do planejamento estratégico das maiores empresas do setor, se a meta de 100 países se confirmar, 2026 poderá marcar, portanto, a consolidação das stablecoins no sistema financeiro global.

