- Rally segue forte, mas riscos silenciosos começam a aparecer
- Investidores mantêm otimismo, porém retornos futuros podem enfraquecer
- Mercado depende de crescimento, IA e juros baixos para sustentar alta
Os mercados financeiros abriram o ano em forte alta e mantiveram o mesmo ritmo que marcou grande parte do período anterior. Os preços das ações subiram logo na primeira sessão de janeiro, e isso reforçou a confiança dos investidores. Assim, o entusiasmo em torno da inteligência artificial, a queda da inflação e a postura mais suave dos bancos centrais continuaram a impulsionar os ganhos. Mesmo diante de tensões globais e disputas comerciais, o apetite por risco permaneceu elevado.
As ações avançaram de forma consistente, os títulos também subiram e os spreads de crédito diminuíram ao longo dos últimos meses. Até as commodities ganharam tração, apesar da inflação mais baixa. A combinação de lucros em todos os setores fez o ano passado registrar o melhor desempenho conjunto desde 2009. Naquele momento, governos precisaram intervir para estabilizar uma economia fragilizada. Agora, o movimento sincronizado levantou outra questão importante: a sensação de segurança pode esconder riscos maiores.
A força do rally e o risco silencioso
A diversificação funcionou bem demais. Quando ativos que normalmente se movem em direções opostas sobem juntos, a proteção real diminui. Os retornos aumentam, mas o espaço para erros diminui rapidamente. Ainda assim, analistas de Wall Street mantêm o otimismo. Eles apontam três pilares para sustentar o avan, mais investimentos em inteligência artificial, crescimento econômico firme e cortes de juros sem reacender a inflação.
As previsões de mais de 60 instituições mostram um consenso amplo de que essas condições permanecem. Porém, muitos alertam que os mercados já precificaram grande parte das boas notícias. Carl Kaufman, gestor da Osterweis, afirmou que o ritmo acelerado de valorização observado em setores como IA e energia nuclear dificilmente continuará. Mesmo assim, ele espera que o mercado evite quedas bruscas, embora veja retornos mais fracos pela frente.
Indicadores reforçam o cenário atual
Os números confirmam a força do movimento. As ações americanas renderam cerca de 18%, marcando o terceiro ano seguido de ganhos robustos. As ações globais tiveram avanço ainda maior, perto de 23%. Já os títulos do governo subiram após o Federal Reserve cortar juros três vezes. A volatilidade caiu e o crédito acompanhou a tendência, com spreads de grau de investimento recuando pelo terceiro ano consecutivo.
As commodities também avançaram. Um índice da Bloomberg para o setor subiu 11%, puxado pelos metais preciosos. O ouro renovou recordes sucessivos diante da demanda dos bancos centrais e da fraqueza do dólar.
No entanto, a inflação segue como o grande ponto de atenção. Embora tenha caído, parte dos investidores teme que um choque no setor de energia ou decisões equivocadas de política monetária provoquem um novo ciclo inflacionário. Mina Krishnan, da Schroders, destaca que um aumento nos preços da energia pode iniciar esse processo.
Enquanto isso, a desconexão entre mercados e vida real permanece evidente. As 500 pessoas mais ricas do mundo adicionaram US$ 2,2 trilhões às suas fortunas no último ano, enquanto a confiança do consumidor nos EUA caiu por cinco meses seguidos.
Ainda assim, gestores continuam confiantes. Estratégias tradicionais, como a carteira 60/40, voltaram a ganhar força e renderam 14%. Já a paridade de risco teve alta de 19%, seu melhor resultado desde 2020. Para muitos, o cenário segue favorável. Josh Kutin, da Columbia Threadneedle, afirma que ainda não vê sinais de recessão no curto prazo e que a empresa busca aproveitar ao máximo o momento positivo.
Com isso, os próximos meses começam com expectativas elevadas. Os mercados seguem fortes, mas agora dependerão mais do equilíbrio delicado entre política monetária, energia e tecnologia para manter esse ritmo.

