- Tim Draper afirma amar Musk, mas coloca Satoshi Nakamoto acima do bilionário
- IPO da SpaceX levantou US$ 75 bilhões e tornou Musk o primeiro trilionário do mundo
- Patrimônio de Musk equivale a mais de 3% do PIB dos Estados Unidos
O capitalista de risco Tim Draper, um dos investidores mais antigos no setor de criptomoedas, voltou a alimentar uma das lendas mais persistentes da internet. Em declaração pública, ele afirmou, “Amo Elon Musk… quase tanto quanto amo Satoshi Nakamoto”. A frase, aparentemente elogiosa, reacende o debate sobre quem realmente está por trás do bitcoin e coloca o criador anônimo da rede acima do homem mais rico do planeta no panteão pessoal de Draper.
O timing não é casual. A fala chega dias depois de Musk se tornar o primeiro trilionário da história, após a abertura de capital da SpaceX na Nasdaq. A oferta movimentou US$ 75 bilhões e empurrou o patrimônio do executivo para cerca de US$ 1,1 trilhão. Mesmo nesse patamar inédito, Draper preferiu reservar o topo do ranking para a figura encapuzada que publicou o whitepaper do bitcoin em 2008.
A teoria que liga Musk ao whitepaper do bitcoin
A comparação de Draper se apoia em um folclore que circula há anos em fóruns cripto, o de que Musk seria, ele próprio, Satoshi Nakamoto. Os defensores da tese costumam apontar três pilares. O primeiro é o passado do executivo no PayPal, que teria lhe dado familiaridade com sistemas de pagamento digital. O segundo é seu histórico documentado de programação em C++, linguagem usada na implementação original do bitcoin. O terceiro é o interesse público em criptografia e na ideia de “disrupção” de estruturas centralizadas.
Musk já negou a autoria diversas vezes. Em 2021, afirmou que seu trabalho em finanças digitais seguiu uma arquitetura completamente distinta da proposta por Satoshi. Ainda assim, a teoria nunca morreu e ganha sobrevida sempre que o nome dele volta às manchetes, como agora.
SpaceX leva Musk à marca de US$ 1,1 trilhão
O IPO da SpaceX foi o maior já registrado em uma estreia na Nasdaq. A companhia foi avaliada em US$ 1,78 trilhão no momento da oferta, e suas ações subiram 21% no primeiro pregão. Somando a fatia de Musk na SpaceX à participação na Tesla e em outros ativos, sua fortuna ultrapassou a barreira psicológica do trilhão de dólares equivalente a mais de 3% do PIB dos Estados Unidos.
Para o mercado cripto, o evento não passou em branco. Analistas alertaram que o IPO funcionaria como um dreno de liquidez sobre o bitcoin e os ETFs spot, já que parte do capital alocado em ativos de risco migraria para a nova ação. O BitNotícias mostrou que a drenagem de capital ajudou a explicar a fraqueza recente dos ETFs de bitcoin, que perderam mais de US$ 2 bilhões em junho. A própria estreia da SpaceX na Nasdaq coincidiu com volatilidade em pares como BTC e ETH.
Satoshi segue intocado no panteão cripto
Draper é figura conhecida no setor desde 2014, quando arrematou em leilão do governo americano quase 30 mil bitcoins apreendidos da Silk Road. Ele projeta há anos um preço de US$ 250 mil para o ativo. Hoje, o bitcoin é negociado a US$ 63.523 (R$ 324.431), praticamente estável em 24 horas e bem distante das máximas históricas. Mesmo nesse cenário lateralizado, o investidor mantém a tese de que a escassez programada do protocolo vale mais do que qualquer império corporativo.
No mercado brasileiro, a ironia ganha contorno extra. Enquanto Musk concentra patrimônio equivalente a quase 14 vezes o PIB anual de um estado como Pernambuco, o suprimento total de bitcoin segue limitado a 21 milhões de unidades uma escassez que, na leitura de Draper, é mais escassa que qualquer cota da SpaceX. A fala do investidor, segundo publicação original, reforça que o anonimato de Satoshi permanece como o maior trunfo simbólico da rede.