- Stablecoin A7A5, atrelada ao rublo, movimentou mais de US$ 100 bilhões em menos de um ano.
- Token funcionou como ponte para liquidez em USDT, segundo a Elliptic.
- Sanções dos EUA e da UE em 2025 reduziram drasticamente volumes e utilidade do ativo.
A stablecoin A7A5, ligada a redes financeiras russas sob sanções, processou mais de US$ 100 bilhões em transações on-chain antes de sofrer restrições, segundo a Elliptic.
Stablecoin A7A5 e o uso para contornar sanções
A Elliptic afirma que a A7A5 foi criada para reduzir a exposição de empresas russas às sanções ocidentais, por isso, o token permitia transferir valor via blockchain com menor risco de congelamento de ativos.
Lançada no início de 2025, a stablecoin teve rápida adoção, além disso, operou em redes públicas como Ethereum e Tron, ampliando seu alcance.
Segundo a Elliptic, o volume de US$ 100 bilhões soma todas as transferências registradas, entretanto, isso não significa atividades econômicas distintas em cada transação.
“Esse é o valor agregado de todas as transferências da A7A5”, disse Tom Robinson, fundador e cientista-chefe da Elliptic.
Ponte entre rublo e USDT impulsionou volumes
A análise mostra que a A7A5 funcionou, sobretudo, como ponte entre o rublo e o USDT. Assim, usuários acessavam mercados dolarizados sem manter fundos por muito tempo em carteiras vulneráveis.
Além disso, a liquidez ficou concentrada em poucas plataformas, entre elas, exchanges baseadas no Quirguistão e infraestruturas ligadas ao próprio projeto.
Esse padrão indica uso institucional e estratégico. Portanto, não se tratava de uma stablecoin popular no varejo.
Sanções e ações de compliance frearam o crescimento
A partir de meados de 2025, o cenário mudou, os volumes caíram de picos de US$ 1,5 bilhão por dia para cerca de US$ 500 milhões.
De acordo com Robinson, as sanções dos Estados Unidos em agosto de 2025 tiveram impacto imediato.
“Elas reduziram drasticamente a provisão de liquidez em USDT”, afirmou.
Além disso, em novembro, a Uniswap bloqueou o token em sua interface. Usuários também relataram congelamento de USDT ligado a carteiras da A7A5.
Em 23 de outubro, a União Europeia sancionou formalmente o projeto, obloco classificou a stablecoin como ferramenta para driblar restrições ligadas à economia de guerra russa.
Limites e lições para stablecoins não dolarizadas
Segundo a Elliptic, o caso expõe forças e fragilidades dessas estruturas. Por um lado, mostram eficiência no curto prazo.
Por outro, continuam vulneráveis à pressão regulatória global.
“Existem limites estruturais para o crescimento desse tipo de stablecoin”, disse Robinson.
Portanto, enquanto o dólar dominar o sistema financeiro, essas soluções tendem a enfrentar barreiras severas. Ainda assim, o episódio levanta alertas importantes para reguladores e mercados cripto.

