- Sebastian Serrano projeta queda máxima do Bitcoin limitada a US$ 75 mil.
- Fluxos institucionais e ETFs reduzem volatilidade e criam base mais estável.
- Pressão de venda dos holders antigos explica resistência perto de US$ 100 mil.
O mercado de criptomoedas vive um momento de transição que, segundo analistas, pode redefinir a trajetória do Bitcoin nos próximos meses. Nesta terça-feira, 27, o fundador da Ripio, Sebastian Serrano, afirmou que o setor já entrou em um bear market e que a queda máxima do BTC pode alcançar US$ 75 mil antes de uma eventual recuperação em 2026. A projeção contrasta com o otimismo visto no início do último ciclo, quando parte do mercado esperava que o ativo chegasse a US$ 200 mil.
Serrano explica que a dinâmica atual é muito diferente dos ciclos anteriores. Ele destaca que sua própria tesouraria realizou vendas em momentos estratégicos, mas não conseguiu capturar o pico de valorização. Ainda assim, a empresa mantém 40% do patrimônio em cripto e planeja ampliar essa posição no fim do ano, algo que demonstra confiança estrutural no setor.
De acordo com o executivo, o Bitcoin não atingiu preços mais altos porque houve forte pressão de venda dos investidores antigos. Esses holders de longo prazo aproveitaram o avanço até a faixa dos US$ 100 mil para realizar lucro.
No entanto, Serrano afirma que esse fluxo não derrubou o mercado como em ciclos passados, já que encontrou compradores institucionais prontos para absorver a oferta. Esse comportamento, segundo ele, criou uma base mais estável e reduziu a volatilidade de forma significativa.
Queda do Bitcoin
Ele aponta ainda que o volume negociado em diferentes regiões de preço ajuda a explicar a resistência encontrada pelo BTC. Enquanto níveis perto de US$ 37 mil atraíram pouco interesse nos últimos dois anos, faixas como US$ 65 mil registraram intensa atividade. Quando o preço avançou até a casa dos US$ 100 mil, o volume disparou e revelou um ponto claro de saturação entre investidores dispostos a vender.
Outra mudança importante destacada por Serrano está nas provas de reserva publicadas pelas exchanges. Para ele, a redução de Bitcoins custodiados nessas plataformas indica que muitas moedas migraram para carteiras privadas e produtos estruturados, reforçando uma estrutura de mercado mais madura.
Os ETFs de Bitcoin também aparecem como fator central no comportamento recente. Serrano afirma que o investidor de ETF é mais disciplinado e opera com visão de longo prazo, o que ajudou a equilibrar o mercado durante fases de forte venda. Esse fluxo constante impediu que o BTC entrasse em um ciclo de euforia exagerada ou de queda abrupta, como ocorreu em anos anteriores.
Apesar disso, Serrano acredita que novos recuos ainda são possíveis. Ele afirma que cortes de juros nos Estados Unidos normalmente reativam mercados de risco, mas esse efeito não surgiu com força neste ciclo. Para que isso aconteça, seria necessário um movimento agressivo, com reduções totais entre 1,5 e 2 pontos percentuais. Hoje, esse cenário parece distante devido às incertezas ligadas à política econômica e externa do governo Donald Trump.
Inteligencia artificial
Além disso, ele lembra que a inteligência artificial está absorvendo grande parte da liquidez global. Se esse fluxo continuar concentrado em ações e projetos ligados à IA, o mercado cripto pode perder espaço no curto prazo. Serrano estima apenas 6% a 15% de chance de um cenário altamente positivo para o BTC neste momento.
Mesmo assim, ele vê possibilidade de um cenário extremo produzir um novo ciclo de alta. Uma deterioração macroeconômica combinada com correções profundas em empresas de IA poderia gerar vendas forçadas e limpar o excesso de alavancagem. Esse movimento, segundo ele, abriria caminho para um “verão” de forte recuperação posteriormente.
No campo regulatório, Serrano cita o Clarity Act, nos Estados Unidos, como potencial sinal positivo. No entanto, ele afirma que o debate ainda está mais avançado que a implementação prática. Em paralelo, ele vê uma expansão clara das stablecoins, que hoje movimentam cerca de US$ 80 bilhões por dia, e acredita que o futuro do mercado será guiado por liquidez e utilidade real, não apenas por narrativas especulativas.


