- Reflação pode abrir caminho para nova alta do Bitcoin
- Liquidez global crescente favorece ativos como ouro e BTC
- Intervenções cambiais podem antecipar novo ciclo positivo para criptos
A economia global começa a mostrar sinais claros de reflação, movimento que costuma despertar atenção imediata entre investidores de criptomoedas. O fenômeno surge após meses de inflação moderada e indica que os preços podem voltar a subir em várias regiões do mundo. Essa mudança, segundo analistas, cria um ambiente historicamente favorável ao Bitcoin, mesmo que o ativo ainda demonstre pouca reação nesta fase inicial.
Os mercados vêm apontando essa virada. Commodities e moedas passaram a enviar alertas de que a tendência mudou. André Dragosch, chefe de pesquisa da Bitwise Europe, afirmou que esses sinais aparecem “de forma simultânea e consistente”, especialmente quando se observa o comportamento do ouro e da prata.
Sinais claros de mudança no cenário global
Os movimentos reforçam o diagnóstico. A reflação ocorre quando a queda da inflação perde força e abre espaço para uma nova onda de pressões altistas. Esse processo costuma nascer do aumento dos preços das commodities e da desvalorização das moedas, além de ciclos de expansão monetária.
Dragosch destacou que os investidores vêm reduzindo sua exposição aos títulos do Tesouro americano enquanto aumentam a procura por ativos reais. O ouro rompeu US$ 5.200, e a prata avançou 50% desde janeiro, reforçando a busca por proteção. Esse deslocamento de capital mostra que a liquidez global está migrando para setores ligados à inflação.
Diante desse movimento, surge a pergunta inevitável, e o Bitcoin? A maior criptomoeda segue estável, mas estudos mostram que ciclos de reflação quase sempre antecedem períodos de forte valorização. A dinâmica atual lembra esse padrão.
O papel dos bancos centrais e seus efeitos no Bitcoin
Dragosch levantou ainda outro ponto sensível. Para ele, o Federal Reserve pode estar intervindo no mercado cambial ao lado do Banco do Japão. Essa tese, também defendida por Arthur Hayes, indica que o Fed estaria imprimindo dólares para comprar ienes e, depois, adquirindo títulos japoneses. Esse movimento expandiria o balanço do banco central americano e, portanto, aumentaria a liquidez global.
Hayes reforçou essa possibilidade em seu último ensaio, ao notar que o iene se desvalorizou fortemente enquanto os rendimentos dos títulos japoneses subiram. Essa combinação, segundo ele, não deveria ocorrer em um ambiente de plena confiança no governo japonês.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, negou qualquer intervenção e afirmou que a política cambial americana permanece estável. Mesmo assim, especialistas seguem monitorando sinais no balanço do Fed. Hayes acompanha especialmente a rubrica “Ativos Denominados em Moeda Estrangeira”.
Se esse indicador subir, isso confirmaria a intervenção e apontaria para um novo ciclo de liquidez global. Nesse cenário, afirmou Hayes, “o Bitcoin vai valorizar junto com o crescente balanço do Fed”, reforçando o potencial otimista em meio à tendência de reflação.

