- Liquidez fraca derruba Bitcoin, mas analista vê reversão próxima
- Raoul Pal aponta queda como efeito temporário, não estrutural
- Expectativa de 2026 épico com melhora ampla da liquidez
A queda recente do Bitcoin reacendeu o medo de que o ciclo das criptomoedas tenha chegado ao fim. Porém, especialistas afirmam que o movimento segue outra lógica.
O analista Raoul Pal argumenta que o recuo atual não nasce da perda de demanda. Em vez disso, surge de um colapso temporário de liquidez nos Estados Unidos.

Segundo ele, esse choque explica a pressão vendedora e a volatilidade extrema vistas nos últimos dias. Além disso, aponta uma possível reversão em breve.
Hoje, o Bitcoin opera perto de US$ 78.000, após perder o suporte crucial de US$ 80.000 no fim de semana. Assim, o clima de cautela cresceu rapidamente.

Dados da Farside Investors mostram saídas líquidas de US$ 1,5 bilhão nos ETFs de Bitcoin. Isso ampliou a aversão ao risco em todo o mercado.
O impacto se espalhou para outros ativos. O ouro recuou cerca de US$ 1.000 desde o pico de US$ 5.600. A prata sofreu queda ainda mais intensa.
As ações americanas também registraram um desempenho fraco. Com isso, o cenário apontou para uma pressão de liquidez mais profunda.
O papel da liquidez na queda do Bitcoin
Raoul Pal destacou que o comportamento do Bitcoin replica o das empresas de software SaaS. Ambos caem com intensidade quando a liquidez diminui.
Ele observou que essa semelhança não acontece por acaso. Esses ativos dependem fortemente de liquidez abundante e sentem qualquer variação no fluxo de capital.
Em sua análise, Pal citou fatores que comprimiram a liquidez americana. Primeiro, a quase exaustão da linha de crédito reversa do Fed em 2024.
Depois, a reestruturação da conta geral do tesouro, sem compensação equivalente. Em seguida, repetidas paralisações do governo ampliaram as distorções.
Com pouca liquidez, o capital abandonou rapidamente os ativos de maior risco. Assim, criptomoedas e ações de tecnologia sofreram quedas mais agressivas.
Ao mesmo tempo, a forte alta do ouro drenou liquidez marginal. Isso deixou menos espaço para sustentar Bitcoin e ações sensíveis ao risco.
O que pode mudar para 2026, segundo Pal
Para o analista, o pior momento está perto do fim. Ele acredita que a paralisação do governo será resolvida em breve, liberando parte da liquidez represada.
Pal prevê um aumento relevante de liquidez ao longo dos próximos meses. Ele cita saques da TGA, ajustes no eSLR e novos estímulos fiscais.
Além disso, projeta possíveis cortes de juros, que tendem a impulsionar ativos de risco. Isso criaria condições favoráveis para uma recuperação ampla.
O analista também rejeita a ideia de um Fed mais rígido sob Kevin Warsh. Para ele, essa visão é antiga e não reflete o contexto político atual.
Pal reconhece que a correção pesou mais sobre altcoins menores. Porém, afirma que choques de liquidez sempre provocam quedas assimétricas nesses ativos.
Ainda assim, ele reforça que o mercado não está quebrado. Na verdade, vive apenas um vácuo temporário de liquidez, algo comum em ciclos completos.
Por fim, Pal afirma que, se o padrão histórico se repetir, 2026 poderá se tornar um ano “incrivelmente épico” para o mercado cripto.

