- CME Group avalia lançar a “CME Coin” em parceria com a blockchain do Google.
- Bolsa também expandirá sua oferta cripto com negociação 24/7 e novos futuros de ADA, LINK e XLM.
- Projeto ainda depende de ajustes regulatórios e testes técnicos antes do lançamento oficial.
A Bolsa de Chicago (CME Group) iniciou um movimento que pode redefinir a relação entre instituições financeiras tradicionais e o universo cripto. A empresa está avaliando o lançamento de uma criptomoeda própria, apelidada provisoriamente de “CME Coin”, em um projeto desenvolvido em parceria estratégica com o Google, que forneceria a infraestrutura blockchain necessária para a operação do ativo.
A iniciativa foi confirmada pelo CEO do CME Group, Terry Duffy, durante a divulgação dos resultados financeiros nesta terça-feira. Segundo ele, o objetivo central é criar uma solução de “efetivo tokenizado” capaz de otimizar garantias e facilitar operações dentro de redes descentralizadas. Essa abordagem busca modernizar processos internos, reduzir custos operacionais e ampliar a liquidez do sistema.
O desenvolvimento do projeto faz parte de uma colaboração que já dura cinco anos entre CME e Google. As duas empresas estão trabalhando em uma arquitetura blockchain com capacidade para suportar transações rápidas, seguras e interconectadas com o ecossistema financeiro global. Duffy afirmou que o ativo operará em uma rede descentralizada, o que já alimenta especulações sobre o nível de interoperabilidade da solução.
O CME Group também ressalta que a iniciativa ainda enfrenta exigências regulatórias. A empresa só lançará a criptomoeda após concluir os ajustes jurídicos e os testes de infraestrutura previstos para os próximos meses. Caso tudo avance conforme o planejado, a CME Coin chegará ao mercado até o final deste ano.

Google e CME
Além do desenvolvimento do novo ativo, o CME Group também prepara uma ampliação relevante de sua atuação no mercado cripto. Desse modo, a empresa anunciou que todos os seus contratos futuros de criptomoedas passarão a operar em regime 24 horas por dia, 7 dias por semana. Assim, aproximando sua estrutura da dinâmica das exchanges digitais tradicionais. Essa mudança pretende atender a investidores institucionais que buscam flexibilidade total em mercados de alta volatilidade.
Outra novidade envolve a introdução de novos contratos futuros para três ativos digitais: Cardano (ADA), Chainlink (LINK) e Stellar (XLM). Esses produtos devem ampliar o portfólio da instituição e fortalecer sua presença em nichos emergentes do setor.
Caso seja lançada, a CME Coin não seria o primeiro criptoativo emitido por uma gigante tradicional da área financeira. O JP Morgan, por exemplo, lançou no ano passado seu próprio dólar digital, o JPM Coin, operado na rede Base, camada 2 da Ethereum. Esses movimentos sugerem uma tendência crescente entre grandes instituições de adotar soluções de tokenização como forma de modernizar operações e competir com empresas nativas do setor cripto.
Assim, para especialistas, a entrada da CME no mercado de ativos digitais reforça que a tokenização está se tornando um pilar estratégico do sistema financeiro mundial. O anúncio, ainda que preliminar, aumenta a pressão sobre outras instituições que estudam projetos semelhantes e evidencia que o setor tradicional não quer perder espaço em um mercado que cresce rapidamente.

