- Queda do Bitcoin causa perdas bilionárias em tesourarias corporativas.
- Strategy e Bitmine lideram prejuízos com forte desvalorização.
- Analistas alertam risco de vendas institucionais em cascata.
O mercado de Bitcoin vive dias de forte instabilidade, e essa turbulência atingiu com força as empresas que acumulam criptomoedas em suas tesourarias. A queda abrupta levou o preço do Bitcoin para perto de US$ 60 mil, e isso eliminou os ganhos construídos ao longo do ciclo de alta recente. Assim, todas as 22 companhias listadas em bolsa que mantêm grandes reservas em ativos digitais agora operam no vermelho.
O impacto se tornou evidente quando analistas consolidaram os dados e observaram que essas tesourarias acumulam perdas combinadas de US$ 28 bilhões. Além disso, a empresa mais atingida é a Strategy, maior detentora pública de bitcoin. A companhia registra uma perda de US$ 8,9 bilhões, valor muito próximo ao da Bitmine, dona da maior reserva corporativa de ETH, que aparece com prejuízo de US$ 8,6 bilhões.
Justo atrás surge Twenty One Capital, que acumula uma desvalorização de US$ 1,9 bilhão. Esses números refletem um choque profundo que surgiu porque o bitcoin está hoje 50% abaixo do recorde histórico de US$ 126 mil, registrado apenas três meses atrás. A queda se intensificou nesta semana, com uma correção de US$ 20 mil, movimento que apagou praticamente todo o avanço conquistado entre 2023 e 2025.
Esse recuo também desafia empresas que, desde 2024, passaram a tratar o Bitcoin como ativo estratégico de longo prazo em suas tesourarias. A expectativa de proteção contra inflação e instabilidade macroeconômica deu lugar a novos questionamentos sobre volatilidade e riscos de liquidez.
Bitcoin
Ainda assim, a Strategy tenta manter o discurso de confiança. Durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre, o CEO Phong Le afirmou que não vê risco imediato para a companhia. Ele destacou que a empresa está preparada para enfrentar quedas ainda mais severas e usou um exemplo extremo para ilustrar o ponto. Segundo ele, apenas um colapso para 8 mil dólares, equivalente a uma queda de 90%, colocaria a empresa diante de uma reestruturação financeira mais profunda.
Ao mesmo tempo, Michael Saylor, fundador e presidente executivo da Strategy, buscou reforçar a visão de longo prazo durante a reunião. Ele lembrou que os movimentos trimestrais podem ser “bruscos” e “inquietantes”, mas ressaltou que a estratégia da companhia para bitcoin não muda com oscilações repentinas.
Apesar da pressão intensa, nenhuma das empresas afetadas indicou risco de solvência. Entretanto, o ambiente lembra períodos críticos do passado, como o inverno cripto de 2022. Naquela época, a quebra de companhias como FTX e Celsius evidenciou como choques prolongados podem devastar até grandes participantes do setor.
Tesourarias de BTC em apuros
Essa nova queda, portanto, funciona como um teste adicional para tesourarias expostas. E analistas já apontam riscos maiores caso o mercado não reaja rapidamente. Para Ki Young Ju, CEO da CryptoQuant, a falta de repique pode gerar vendas institucionais em cascata, principalmente porque parte do movimento atual parece ocorrer por causa de liquidações forçadas.
O especialista alerta que esse tipo de dinâmica costuma gerar um efeito dominó. Assim, fundos se desfazem de posições, preços caem ainda mais, mineradoras ficam vulneráveis e pequenos investidores acabam pressionados a capitular. Nessa situação, recuperar a confiança levaria muito tempo, pois, segundo ele, instituições que saem no fundo raramente retornam.


