- Crescimento institucional reforça força da Coinbase apesar dos resultados fracos
- Receita de serviços dispara e reduz dependência das transações
- Meta cortada, mas potencial de alta permanece expressivo para investidores
A Benchmark reduziu em 37% sua meta para as ações da Coinbase, mas reforçou que a empresa segue mais forte do que nunca. O corte veio após resultados trimestrais abaixo das expectativas e um ambiente difícil no mercado cripto. Mesmo assim, a corretora reafirmou sua recomendação de compra.
O analista Mark Palmer revisou sua projeção de US$ 421 para US$ 267. Ainda assim, ele destacou que a nova meta implica um potencial de alta de quase 60%, considerando o preço atual das ações da COIN.
Receita cai, mas mudanças internas reforçam estrutura
A Coinbase divulgou receita líquida de US$ 1,71 bilhão no quarto trimestre de 2025. O valor ficou 5% abaixo do trimestre anterior e também abaixo das estimativas de Wall Street. Mesmo assim, a administração já esperava esse cenário em meio à queda de 11% na capitalização do mercado cripto.
A receita com transações recuou 6%, enquanto a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 667 milhões devido a perdas não realizadas no portfólio de criptoativos e em investimentos estratégicos. Apesar disso, Palmer afirmou que os números não contam a história completa.
Afinal, a receita institucional saltou 37% no trimestre. A alta decorreu da primeira contribuição integral da Deribit, que se tornou um motor de crescimento após ser adquirida por US$ 2,9 bilhões. O CEO Brian Armstrong reforçou que os derivativos serão essenciais em 2026.
Além disso, a receita com stablecoins subiu 3%, alcançando US$ 364 milhões. Os saldos de USDC atingiram níveis históricos. Armstrong classificou as stablecoins como uma transformação estrutural nos pagamentos globais, impulsionada também pelos agentes de IA.
Estrutura de receita muda e reforça tese de longo prazo
A receita de assinaturas e serviços chegou a US$ 727,4 milhões no trimestre, representando 43% de toda a receita líquida. O total anual atingiu US$ 2,8 bilhões, número 23% maior do que em 2024 e cinco vezes superior ao pico de 2021.
A Coinbase já reúne 12 produtos com mais de US$ 100 milhões em receita anualizada. O serviço Coinbase One também cresce de forma constante e se aproxima de 1 milhão de assinantes.
Palmer afirmou que a principal tensão na tese da COIN está na diferença entre o comportamento de curto prazo da ação e a visão de longo prazo da empresa. A Coinbase vem ampliando seus serviços, adicionando quase 10 mil tickers de ações, lançando mercados de previsão e registrando volumes recordes de commodities.
Outros analistas também mantiveram postura otimista. A Bernstein reafirmou recomendação de desempenho superior, com alvo de US$ 440. A Canaccord cortou a meta para US$ 300, mas manteve compra. Apenas a Piper Sandler adotou posição mais cautelosa, reduzindo sua meta para US$ 150.
A empresa espera receita de assinaturas entre US$ 550 milhões e US$ 630 milhões no primeiro trimestre de 2026. A Coinbase encerrou 2025 com US$ 11,3 bilhões em caixa e recomprou US$ 1,7 bilhão em ações no fim do ano e início de fevereiro.

