- Bitcoin pode fechar o quinto mês consecutivo de queda, algo não visto desde 2018.
- Fluxos negativos dos ETFs e fatores macro agora dominam a formação de preço do BTC.
- Nível de US$ 58 mil vira suporte crítico, segundo o analista Cavaleiro Blockchain.
O Bitcoin caminha para um cenário raro e incômodo: caso feche fevereiro no campo negativo, o ativo completará cinco meses consecutivos de queda, algo que não ocorre desde o ciclo de baixa de 2018. O movimento, no entanto, não parece mais refletir apenas a dinâmica interna do mercado cripto. Ele se aproxima cada vez mais de um processo de “reprecificação macroeconômica”, como destacou o analista conhecido como Cavaleiro Blockchain, que acompanha o comportamento dos fluxos institucionais.
O preço do Bitcoin já caiu abaixo de US$ 63 mil, acumulando quase 20% de desvalorização no mês, a pior queda mensal desde junho de 2022. Ainda assim, o analista afirma que “a sequência de quedas não é o ponto central”. Para ele, a mudança mais profunda ocorre no mecanismo que define o preço, agora muito mais ligado a movimentos de ETFs, expectativas de juros e apetite global por risco.
Nas últimas semanas, o Bitcoin passou a operar menos como um ativo isolado e mais como um instrumento de risco de alta sensibilidade. Essa transição altera a forma como traders leem o mercado. Antes, temas como adoção, atualizações de protocolo ou escassez guiavam os ciclos de curto prazo. Agora, o foco se desloca para fluxo de recursos, posições de derivativos e sinais vindos do mercado tradicional. “O centro da precificação deixou a blockchain e foi para Wall Street”, afirmou o Cavaleiro Blockchain.
Bitcoin em queda
O comportamento dos ETFs revela essa mudança. Quando havia entrada constante de capital, qualquer queda atraía demanda automática. Hoje ocorre o oposto. Mais de US$ 4,5 bilhões já deixaram os ETFs de Bitcoin em 2026, enfraquecendo o suporte estrutural do ativo. Dados da CryptoQuant mostram que 55% do volume diário global de BTC já vem dos ETFs, o que confirma o domínio institucional no processo de descoberta de preços.

Com isso, analistas concentram a atenção no próximo grande suporte. O nível de US$ 58 mil ganhou força como ponto crítico, não por um único indicador, mas por uma confluência de sinais. Há fatores técnicos, como a proximidade da média móvel de 200 semanas, e fatores on-chain, como o custo-base agregado de vários grupos de investidores. Sempre que o preço se aproxima do valor médio de compra dos participantes, mudanças bruscas de comportamento surgem — desde vendas defensivas até compras oportunistas.
O mercado de opções reforça o alerta. Dados da Deribit mostram aumento expressivo de proteção em torno do strike de US$ 58 mil, com fundos adquirindo grandes blocos de puts. Segundo o Cavaleiro Blockchain, esse padrão indica preparação para um recuo ordenado, e não pânico. A estrutura privilegia quedas graduais, não colapsos.
Mesmo assim, alguns sinais de esgotamento aparecem. O RSI semanal se aproxima de níveis vistos apenas em quedas históricas, como em 2018 e 2022. Para o analista Alex Thorn, isso não garante uma reversão imediata, mas mostra que “o mercado está estatisticamente esticado”.
O que esperar agora
Além disso, os dados de longo prazo também pesam. A CryptoQuant aponta que os detentores antigos ainda mantêm lucro médio elevado, mas o colchão vem diminuindo. Se o preço continuar recuando, o mercado pode entrar em uma zona em que os níveis de dor e o comportamento dos investidores mudam rapidamente.
Com tudo isso, o caminho do Bitcoin depende da capacidade do próprio mercado de absorver pressão. Se US$ 58 mil se mantiver, o ativo pode construir uma base mais sólida. Se perder esse nível, a atenção se deslocará para a região de US$ 50 mil, onde novos custos-base institucionais entram em jogo.

