- Prejuízo da American Bitcoin expõe fragilidade da estratégia de acumulação
- Concorrentes avançam em IA enquanto mineradora ligada a Trump recua
- Estoque de BTC cresce, mas mercado penaliza resultados negativos
A American Bitcoin encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo expressivo de US$ 59,5 milhões, mesmo após elevar sua receita para US$ 78,3 milhões no período. A empresa, apoiada pela família Trump, enfrenta pressão crescente enquanto seus concorrentes aceleram investimentos em inteligência artificial e ampliam estratégias de diversificação.
Apesar do aumento na receita, a mineradora viu seu estoque ultrapassar 6.000 Bitcoins, mas não conseguiu conter os impactos das perdas contábeis ligadas à desvalorização dos ativos digitais. Esses efeitos se tornaram ainda mais visíveis porque o setor passa por mudanças rápidas em eficiência e alocação de recursos.
Margens altas, mas prejuízo cresce com desvalorização do Bitcoin
A empresa informou uma margem bruta de 53%, ressaltando que continuou “minerando Bitcoin com um desconto de 53%”. Mesmo assim, as reduções no valor justo dos ativos digitais ampliaram o prejuízo anual para US$ 153,2 milhões.

Eric Trump, cofundador e diretor de estratégia, afirmou que a companhia fechou 2025 com 5.401 BTC em seu balanço e que o número já ultrapassa 6.000 BTC. Ele destacou ainda a abertura de capital na Nasdaq como uma das conquistas desde a criação da empresa.
A American Bitcoin também levantou US$ 150,5 milhões em receita bruta por meio de seu programa de ações negociadas no mercado. A iniciativa ajudou a sustentar sua estratégia de acumulação agressiva de Bitcoin em um ambiente cada vez mais competitivo.
Pressão aumenta no setor enquanto rivais buscam novas estratégias
A empresa minerou 1.654 BTC entre o segundo e o último trimestre de 2025, incluindo 783 BTC apenas no quarto trimestre. Mesmo assim, as ações da ABTC sofreram uma queda de 85% nos últimos seis meses, segundo dados do Yahoo Finance, refletindo a perda de confiança do mercado.

O desempenho fraco surge no mesmo momento em que projetos de criptomoedas ligados a Trump também enfrentam fortes desafios. O token World Liberty Financial (WLFI) terminou 2025 muito abaixo de suas máximas iniciais. Já a memecoin Official Trump caiu para cerca de US$ 3,50, uma queda de 87% desde seu pico em janeiro de 2025.

O setor de mineração passa por uma mudança clara. A Marathon (MARA) iniciou uma migração para infraestrutura de data centers voltados a computação de alto desempenho, reduzindo a dependência das recompensas do Bitcoin. A Bitdeer (BTDR) optou por liquidar suas reservas de BTC para priorizar liquidez. Já a Hut 8 (HUT) registrou prejuízo de US$ 279,7 milhões enquanto também destinava recursos à inteligência artificial.
Esse movimento coordenado evidencia que a mineração pura já não sustenta o crescimento, e a American Bitcoin sente os efeitos dessa transição com intensidade maior do que seus principais concorrentes.

