- Bitcoin volta ao radar como possível protegido parcial em cenários de guerra no Irã
- Tokens lastreados em ouro ganham força com o avanço das tensões no Irã.
- Moedas de privacidade disparam conforme aumenta o risco de sanções e vigilância
A escalada da tensão no Oriente Médio reacendeu debates sobre risco, proteção e volatilidade no mercado global. O ataque recente dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguido por uma resposta imediata, colocou os investidores em alerta máximo.
A possibilidade de uma guerra longa envolve novas incertezas para economias já pressionadas. E, diante desse cenário, parte do mercado voltou a avaliar quais ativos digitais conseguem oferecer alguma combinação de liquidez, proteção e utilidade. Assim, três grupos de criptomoedas ganharam atenção renovada entre analistas.
O primeiro deles continua sendo o Bitcoin, apesar de sua fama de porto seguro nem sempre se confirmar. O ativo ainda reage a conflitos com quedas rápidas, como se viu na última ofensiva envolvendo o Irã. No entanto, o BTC segue como a maior força do setor e representa hoje mais de 56% do mercado.
A queda recente, porém, reforça a visão de alguns especialistas que enxergam sinais claros de um novo inverno cripto. Mesmo assim, o ativo pode ganhar impulso caso o clima geopolítico se estabilize. Isso ocorreu em episódios anteriores, quando tensões diminuíram e os investidores voltaram ao apetite por risco.
Ainda assim, o Bitcoin mostra volatilidade muito maior do que mercados tradicionais, o que amplia o impacto de cada notícia. Se o conflito se expandir e envolver países como Rússia ou China, a incerteza tende a crescer e pressionar ainda mais o preço.
Mas se Washington manter a estratégia de evitar uma guerra prolongada e se o Oriente Médio esfriar sua retórica, o BTC pode recuperar parte das perdas. Hoje, o ativo negocia perto de US$ 67 mil, ainda distante de sua máxima histórica registrada há poucos meses.
Guerra no Irã

O segundo grupo observado pelos investidores envolve os tokens lastreados em ouro, que ganharam destaque à medida que o metal superou barreiras históricas. O ouro físico opera acima de US$ 5.200 por onça, impulsionado por riscos geopolíticos e por compras intensas em 2025 e 2026.
A tokenização ampliou o acesso ao ativo e eliminou parte dos problemas logísticos. Os dois principais representantes desse mercado, PAX Gold (PAXG) e Tether Gold (XAUT), mantêm grande profundidade de negociação e oferecem liquidez relevante.
No entanto, quem compra troca conveniência por confiança, já que depende das empresas emissoras para garantir a conversão em ouro físico. Mesmo com esse risco, os valores de mercado dos dois tokens dispararam nos últimos meses.
O terceiro grupo inclui as criptomoedas de privacidade, que tendem a ganhar espaço em períodos de vigilância governamental intensa. Com sanções severas aplicadas a países envolvidos em conflitos, ativos como Monero (XMR) e Zcash (ZEC) voltaram a atrair atenção pela utilidade em transações privadas.
Em 2025, o interesse nesses criptoativos provocou uma corrida de compras. Mesmo com correções recentes, XMR ainda acumula ganhos superiores a 56% no ano, enquanto ZEC ultrapassa 500% no mesmo período. Em um cenário de guerra prolongada, esse segmento pode crescer ainda mais.

