- WLFI de Trump atinge mínima histórica após queda de 10%
- Empréstimos com garantia própria elevam risco estrutural
- Mercado reage com cautela à estratégia financeira do projeto
O token World Liberty Financial (WLFI), associado a um projeto ligado à família de Donald Trump, atingiu sua mínima histórica nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026. O ativo caiu cerca de 10% nas últimas 24 horas. Isso ampliou um movimento de desvalorização que já acumula perdas expressivas desde o segundo semestre de 2025.
No momento da publicação, o WLFI era negociado próximo de US$ 0,083. Esse valor representa uma queda de aproximadamente 82% em relação ao pico de US$ 0,46, registrado em setembro de 2025. Além disso, a recente pressão vendedora ocorre em meio a questionamentos sobre a estratégia financeira adotada pelo projeto.
Dados on-chain apontam que o tesouro da plataforma realizou uma série de operações envolvendo empréstimos em protocolos de finanças descentralizadas, o que elevou o nível de atenção entre analistas e investidores.

Movimentações com dívida levantam alerta no mercado
As preocupações começaram em 8 de fevereiro de 2026. Naquele dia, a World Liberty Financial depositou cerca de US$ 14 milhões em sua própria stablecoin (USD1) como garantia no protocolo Dolomite. Em seguida, tomou emprestado aproximadamente US$ 11,4 milhões em USDC.
Pouco depois, a plataforma transferiu os recursos para uma carteira ligada à Coinbase Prime, que instituições utilizam amplamente para conversões em moeda fiduciária ou liquidação de ativos.
Dois dias depois, a plataforma realizou um novo movimento. Ela transferiu mais US$ 12,5 milhões em USD1 para outro endereço vinculado ao mesmo serviço. Já em 20 de fevereiro, o tesouro ampliou sua exposição ao depositar 890 milhões de WLFI como garantia e contrair um empréstimo adicional de US$ 20 milhões em USD1.
Em março, a estratégia se intensificou. A emissão de mais 1,1 bilhão de tokens WLFI elevou o total utilizado como colateral para cerca de 1,99 bilhão de unidades dentro do protocolo. No total, as operações permitiram à plataforma captar aproximadamente US$ 31,4 milhões em stablecoins.
Estrutura de liquidez e risco de liquidação preocupam o projeto de Trump
Apesar da captação relevante, analistas destacam que a estrutura adotada pode representar riscos elevados. Isso porque a liquidez utilizada como base das operações está fortemente concentrada em ativos emitidos pela própria plataforma.
Atualmente, o WLFI responde por cerca de 55% da liquidez total do protocolo Dolomite. Enquanto isso, o pool da stablecoin USD1 apresenta uma taxa de utilização próxima de 93%. Esse valor indica baixa margem para resgates em larga escala.
Além disso, a profundidade de mercado do token é considerada limitada em relação ao volume utilizado como garantia. Esse fator aumenta o risco de liquidações em cascata, caso o preço continue caindo.
Nesse cenário, uma eventual venda forçada de grandes volumes poderia pressionar ainda mais o valor do ativo antes que o protocolo consiga absorver a liquidação. O impacto poderia atingir não apenas o WLFI, mas também os usuários que forneceram liquidez ao sistema.
Em resposta às críticas, o projeto afirmou, por meio de sua conta oficial, que está longe de enfrentar liquidação. A equipe também destacou que a estratégia de empréstimos contribui para gerar rendimento e fortalecer o ecossistema.
A empresa ainda informou que recomprou mais de 435 milhões de tokens WLFI nos últimos seis meses. Isso totaliza cerca de US$ 65,5 milhões, reforçando sua confiança no projeto.
Mesmo assim, o mercado reagiu com cautela. Parte dos investidores avalia que a estrutura atual cria um ciclo no qual a liquidez depende de ativos internos. Isso aumenta a exposição ao risco em momentos de estresse.

