- Tether adquire 1,95 milhão de ações da Antalpha após IPO de 2025
- Empresa de crédito tem US$ 1,6 bilhão em empréstimos para mineradores
- Ações da Antalpha sobem 7,2% e Tether já investiu em 120 empresas
A Tether adquiriu uma participação de 8,2% na Antalpha, plataforma especializada em crédito para mineradores de Bitcoin. O movimento transforma a emissora da maior stablecoin do mundo em uma das principais acionistas da empresa após seu IPO realizado em maio de 2025.
De acordo com documento protocolado na SEC americana, a Tether controla agora 1,95 milhão de ações através de entidades relacionadas. Giancarlo Devasini, presidente da Tether, compartilha o poder de voto sobre a posição.
A Antalpha gerencia uma carteira de empréstimos de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, focada em operadores de mineração que precisam de capital para equipamentos e operações. A empresa mantém vínculos estreitos com a Bitmain, um dos maiores fornecedores globais de hardware para mineração.
Números mostram crescimento acelerado da Antalpha
Os resultados financeiros justificam o interesse da Tether. Em 2025, a Antalpha registrou receita de US$ 79,7 milhões, crescimento de 68% comparado ao ano anterior. Ainda mais impressionante foi o salto no lucro líquido para US$ 18,5 milhões, mais que o triplo do resultado de 2024.
No IPO do ano passado, a empresa levantou cerca de US$ 49,3 milhões vendendo ações a US$ 12,80 cada. Na época, a Tether já havia sinalizado interesse em comprar até US$ 25 milhões em papéis.
As ações reagiram positivamente ao anúncio. Os papéis da Antalpha subiram 5% nas primeiras negociações de segunda-feira, alcançando US$ 9,80. Mesmo assim, o preço ainda está abaixo do valor inicial do IPO, indicando espaço para valorização futura.
O modelo de negócios da Antalpha atende uma demanda crescente no setor. Mineradores de Bitcoin frequentemente precisam de capital para atualizar equipamentos, expandir operações ou cobrir custos operacionais durante períodos de menor rentabilidade. A empresa oferece empréstimos garantidos pelos próprios equipamentos de mineração.
Estratégia de diversificação vai além das stablecoins
A Tether controla o USDT, stablecoin com capitalização de mercado de US$ 187 bilhões. Isso representa aproximadamente 58,4% do mercado total de stablecoins, avaliado em US$ 320,7 bilhões segundo dados da DefiLlama.

Mas a empresa tem usado seus lucros recentes para expandir em múltiplas direções. Além da mineração, a Tether está investindo em inteligência artificial, tokenização de ativos e serviços financeiros digitais.
No mesmo dia do anúncio sobre a Antalpha, o protocolo de tokenização Kaio revelou que a Tether participou de uma rodada de financiamento de US$ 8 milhões. “A participação da Tether reflete alinhamento estratégico direto”, disse a empresa em comunicado, destacando que o USDT se tornou a camada dominante para fluxos de capital transfronteiriços.
Em março, a Tether liderou investimento de US$ 50 milhões na Eight Sleep, empresa de produtos para sono que agora vale US$ 1,5 bilhão. Em fevereiro, foram dois grandes movimentos, US$ 150 milhões por 12% da Gold.com e US$ 100 milhões na Anchorage Digital, banco de ativos digitais americano com carta patente federal.
Portfolio de investimentos já ultrapassa 120 empresas
Paolo Ardoino, CEO da Tether, revelou em julho que a empresa já investiu em mais de 120 companhias através de seu braço de venture capital. Todos esses investimentos são financiados com lucros da empresa, não com as reservas que lastreiam o USDT, um ponto importante para a transparência com os usuários da stablecoin.
A estratégia de investimentos da Tether foca em infraestrutura cripto, pagamentos digitais e tecnologias emergentes. A compra de participação na Gold.com, por exemplo, visa expandir o acesso ao ouro tokenizado através do produto XAUt da própria Tether.
Reportagens recentes indicam que a Tether busca levantar capital novo com avaliação de US$ 500 bilhões. A empresa pode adiar a captação se a demanda dos investidores não atingir as expectativas, demonstrando confiança em sua posição financeira atual.
O documento da SEC deixa claro que a Tether e suas afiliadas podem aumentar ou reduzir sua participação na Antalpha ao longo do tempo. As decisões dependerão das condições de mercado e outros fatores estratégicos, incluindo o desempenho operacional da empresa de crédito.
Para o mercado brasileiro, os movimentos da Tether têm relevância direta. O USDT é amplamente usado em exchanges locais e por traders que buscam proteção contra volatilidade. A expansão da empresa em setores como mineração de Bitcoin pode fortalecer ainda mais o ecossistema cripto global.
A entrada da Tether no financiamento de mineração também sinaliza confiança no futuro do Bitcoin. Com a empresa apoiando operadores de mineração através da Antalpha, há um alinhamento claro de interesses no crescimento sustentável da rede Bitcoin.


