- Bitcoin recua para US$ 79.614 após máxima semanal de US$ 81.500 na quarta
- Funding rate negativa por 67 dias é a maior sequência em uma década
- Dogecoin cai 3,8% e lidera perdas entre as principais criptomoedas
O Bitcoin opera em US$ 79.614 nesta sexta-feira durante o pregão asiático, queda de 1,6% nas últimas 24 horas. No acumulado da semana, ainda mantém alta de 3,3%, sustentando-se acima dos US$ 79 mil mesmo com a correção iniciada após o pico intrasemanal.
A máxima da quarta-feira marcou US$ 81.500, o maior nível desde o final de janeiro. O movimento ficou a poucos dólares da média móvel de 200 dias, em US$ 83.200, sem força para romper o indicador técnico.
Entre as principais criptomoedas, o cenário é majoritariamente negativo. O Ether recuou 2% para US$ 2.278. O Dogecoin cedeu 3,8%, cotado a US$ 0,1063, e foi o pior desempenho do dia. XRP caiu 1,7% para US$ 1,38, enquanto BNB perdeu 0,7% a US$ 638. Solana e TRON resistiram no campo positivo, em US$ 88,14 e US$ 0,3474.
Tensão no Estreito de Ormuz pesa sobre risco
O recuo coincide com o ataque das forças americanas a alvos iranianos, em resposta a investidas contra contratorpedeiros da Marinha dos EUA que cruzavam o Estreito de Ormuz. Em entrevista à ABC News, Donald Trump classificou a operação como um “tapinha de amor” e afirmou que o cessar-fogo com o Irã “continua em vigor”.
O barril do Brent subiu 1,2% para perto de US$ 101, embora o petróleo ainda acumule baixa superior a 6% na semana. As bolsas seguiram a mesma cautela: o índice MSCI All Country World caiu 0,3% e os mercados asiáticos recuaram 1,2% do recorde anterior. Para o investidor brasileiro, o ambiente reforça o papel do BTC como ativo correlacionado a risco — não como hedge geopolítico, ao contrário da narrativa frequente em fóruns locais.
Funding rate negativa arma cenário de squeeze
O dado mais relevante para quem opera derivativos está fora dos gráficos de preço. As taxas de financiamento dos futuros de Bitcoin permanecem negativas há 67 dias consecutivos, segundo levantamento da K33 Research. Trata-se da maior sequência registrada em 10 anos.
Funding rate é o pagamento periódico entre operadores comprados e vendidos em futuros perpétuos. Quando o número fica negativo, são os shorts que pagam aos longs para manter a posição aberta. Dois meses e meio nessa configuração, com preço subindo, formam o setup clássico para um short squeeze — quando uma alta súbita força vendidos a recomprar e acelera o rali.
O comportamento contrasta com a leitura recente de que o rompimento dos US$ 83 mil seria o gatilho para nova perna de alta. No mercado brasileiro, exchanges como Mercado Bitcoin e Foxbit costumam refletir o movimento com defasagem de minutos, mas o impacto no BRL tende a ser amplificado pela cotação do dólar.
Opções mostram cautela apesar do otimismo
Alex Kuptsikevich, analista-chefe da FxPro, avalia que a pausa não sinaliza esgotamento dos compradores. Ele observa que o RSI diário entrou em sobrecompra acima de 70 — situação que, nas três ocorrências anteriores (agosto, outubro e janeiro), antecedeu correções acentuadas.
Já o desk asiático QCP Capital destacou em comunicado que a volatilidade implícita mensal segue ao redor de 41%, com demanda persistente por opções de venda. A leitura: traders compram BTC no spot, mas continuam protegendo o downside via puts. A casa de pesquisa XWIN Japan aponta US$ 93.000 como alvo de médio prazo, justificado pelo fechamento do gap dos futuros da CME, ainda que o caminho dificilmente seja linear.
O quadro técnico monta duas pressões opostas. De um lado, o extremo histórico de funding negativo mantém a possibilidade de squeeze caso o Bitcoin perfure os US$ 83.200. Do outro, manchetes geopolíticas e RSI sobrecomprado abrem espaço para novo teste da banda inferior, conforme detalhado em reportagem da CoinDesk. Operadores alavancados encontram, no Dogecoin, o termômetro mais sensível: a memecoin é a única major no vermelho na janela de sete dias.

