- Trust Wallet defende confiança como base do crescimento da Web3
- Empresa critica excesso de marketing sem transparência no setor cripto
- Comunicação clara ganha peso na disputa por usuários globais
Trust Wallet defende que o crescimento sustentável da Web3 depende menos de campanhas de marketing agressivas e mais da construção contínua de confiança entre empresas e usuários. Além disso, a avaliação aparece em uma série de declarações da executiva Dami Awobokun, responsável pela área de comunicação da companhia. Ela aponta a credibilidade como elemento central para o amadurecimento do mercado de criptomoedas.
A entrevista, realizada por Mike Ermolaev, analista e fundador da Outset PR, ocorre em um momento em que empresas do setor enfrentam pressão crescente para demonstrar segurança operacional, clareza sobre riscos e capacidade de manter relacionamento duradouro com suas comunidades. Em meio ao aumento da competição entre carteiras digitais, corretoras e protocolos descentralizados, a Trust Wallet sustenta que a comunicação deixou de funcionar apenas como ferramenta promocional. Por isso, passou a integrar a própria estrutura dos produtos Web3.
Antes de assumir a liderança de comunicação da empresa, Dami comandou as relações públicas da Binance na África. Ela participou de iniciativas de ativismo social ligadas ao movimento #EndSARS, na Nigéria. Segundo ela, experiências em ambientes descentralizados mostraram que a confiança depende não apenas da tecnologia, mas também da forma como empresas se relacionam com usuários e comunidades.
Empresas da Web3 enfrentam pressão por transparência
Na avaliação da executiva, produtos ligados à Web3 frequentemente exigem que consumidores revejam conceitos tradicionais sobre dinheiro, armazenamento de valor e responsabilidade financeira. Por isso, a comunicação não pode atuar apenas como camada superficial voltada a anúncios ou lançamentos.
“Você não está apenas explicando o que um produto faz. Você está ajudando os usuários a entender por que ele é importante, como se encaixa em suas vidas e se eles podem confiar nele”, afirmou Dami.
A Trust Wallet argumenta que a dinâmica da indústria cripto tornou a comunicação mais sensível do que em empresas tradicionais de tecnologia. Na Web2, produtos normalmente chegam ao mercado em versões mais estáveis antes do início das campanhas de divulgação. Já no setor de criptomoedas, atualizações, mudanças de roteiro e ajustes técnicos costumam ocorrer de forma pública e em tempo real.
Nesse ambiente, comunidades acompanham cada decisão de desenvolvimento e frequentemente questionam promessas feitas por empresas. Segundo Dami, usuários da Web3 não apenas consomem mensagens institucionais, mas também reinterpretam, criticam e contestam informações divulgadas pelas companhias.
A executiva afirma que muitas empresas ainda confundem visibilidade com confiança. Na prática, campanhas de grande repercussão conseguem atrair atenção rapidamente, mas também ampliam o nível de escrutínio sobre produtos e operações.
“Visibilidade é ser visto. Confiança é ser acreditado”, afirmou.
Segundo a executiva, empresas que exageram capacidades técnicas ou apresentam projeções como garantias acabam sofrendo maior desgaste durante períodos de volatilidade ou crises regulatórias. Em contrapartida, companhias que mantêm comunicação consistente conseguem preservar parte da credibilidade mesmo em cenários adversos.
A discussão ganhou relevância após episódios recentes envolvendo falhas operacionais, ataques hackers e questionamentos regulatórios no setor global de ativos digitais. Em vários casos, investidores passaram a cobrar mais transparência sobre reservas financeiras, governança e segurança de plataformas.
Crescimento da Web3 exige adaptação local e suporte contínuo
A Trust Wallet também destaca que a expansão global da Web3 exige adaptações regionais. Durante sua passagem pela Binance na África, Dami afirmou ter observado diferenças relevantes entre mercados, idiomas, regulações e comportamentos financeiros.
Segundo ela, altos índices de adoção de criptomoedas em países com instabilidade econômica não significam necessariamente confiança consolidada nas plataformas. Em muitos casos, usuários recorrem aos ativos digitais por necessidade, como proteção contra inflação ou alternativa para transferências internacionais.
Nesse contexto, a executiva afirma que a credibilidade depende da capacidade prática de uma empresa atender usuários em momentos críticos, garantir acesso aos recursos financeiros e oferecer suporte compatível com diferentes realidades locais.
A companhia também defende maior cautela na divulgação de roteiros de desenvolvimento. Segundo Dami, empresas precisam diferenciar planos em estudo de promessas definitivas ao mercado.
“Deve haver diferença entre compartilhar uma direção e fazer uma promessa”, afirmou.
Para a Trust Wallet, o amadurecimento da Web3 deve aproximar comunicação, produto e educação financeira. A empresa avalia que usuários continuam entrando no setor sem conhecimento técnico aprofundado. Portanto, isso amplia a necessidade de mensagens claras sobre funcionamento, riscos e limitações das plataformas.
Ao defender uma estratégia baseada em confiança de longo prazo, a companhia sinaliza uma mudança de postura dentro da própria indústria cripto, que durante anos priorizou crescimento acelerado, campanhas agressivas e métricas de engajamento imediato.


